O Partido dos Trabalhadores (PT) vai colocar em campo a sua militância evangélica — cerca de 500 mil filiados — para reforçar a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026. A estratégia, já estruturada pela legenda, tem um objetivo claro: reduzir a vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) justamente no grupo de eleitores que a oposição vem dominando há anos.
Para coordenar a mobilização, o partido conta com 27 núcleos evangélicos espalhados por todos os estados do país. A orientação à militância é associar os programas sociais do governo — como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida — aos valores cristãos, com foco na família, no combate à fome e na solidariedade aos mais pobres. A ideia é fazer um contraponto ao lema "Deus, pátria e família", que ajudou a popularizar Jair Bolsonaro entre os fiéis.
Um dos pilares do plano é evitar ao máximo as chamadas pautas de costumes, como a legalização do aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo — temas que os adversários costumam usar para desgastar Lula junto aos evangélicos. A defesa da linguagem neutra também deve ficar de fora do discurso.
"Nosso projeto é o projeto das comunidades evangélicas. Nós não vamos manipular a fé de ninguém. Não vamos fazer disputa político eleitoral usando a fé de ninguém. Nós temos que construir o espaço de diálogo", afirmou o presidente nacional do PT, Edinho Silva.
Entre as ações previstas estão ainda o reforço de uma rede de influenciadores digitais evangélicos, o diálogo com as chamadas "igrejas médias" e a formação de uma "frente ampla evangélica", que pretende reunir pastores e fiéis de outros partidos ou sem filiação.
O movimento ocorre em meio a uma queda de Flávio Bolsonaro entre os evangélicos. Segundo o levantamento Genial/Quaest, a intenção de voto do senador nesse grupo passou de 49% em maio para 41% em junho. Já a pesquisa AtlasIntel, divulgada no início de julho, mostrou o cenário dividido: entre os evangélicos, Flávio lidera com 42,9% contra 39,7% de Lula; entre os católicos, o presidente aparece na frente, com 48,3% ante 37,9%. No cenário geral de primeiro turno, Lula segue na dianteira, com 46,3% contra 36,6% do senador.
Apesar do esforço junto às igrejas, Lula tem evitado participar de grandes eventos religiosos. Ele justificou a ausência na Marcha para Jesus, em junho, dizendo que não quer "tirar proveito político de uma coisa sagrada" em ano eleitoral. Nas últimas semanas, o PT divulgou cartas voltadas a evangélicos e a católicos, reforçando as bandeiras sociais do governo e afirmando que não pretende usar a religião como instrumento político.






