A Justiça de Alagoas fixou uma nova data para o julgamento de Leandro Pinheiro Barros, acusado de assassinar a esposa Mônica Cristina Gomes Cavalcante Alves, de 26 anos, em São José da Tapera, no Sertão alagoano. O réu será submetido a júri popular no dia 9 de novembro de 2026. A decisão foi assinada pelo juiz Alberto de Almeida e publicada no Diário da Justiça na terça-feira (16).
O julgamento acontecerá no Auditório do Tribunal do Júri da Comarca de Arapiraca, durante um mutirão do Judiciário. O caso passou por uma série de adiamentos antes de chegar a essa nova data. Inicialmente marcado para o dia 28 de abril, o júri popular havia sido redesignado para o dia 18 de agosto.
O julgamento foi suspenso e o processo retornou à Comarca de São José da Tapera após a defesa apresentar um recurso de apelação. O juiz Rômulo Vasconcelos de Albuquerque decidiu que a 5ª Vara Criminal de Arapiraca, onde o caso havia sido desaforado, não possui competência para analisar recursos, mantendo a responsabilidade sobre o processo com a comarca original.
Na nova decisão, o magistrado destacou que não havia requisitos legais para o recebimento da apelação e determinou a continuidade da custódia cautelar de Leandro. O julgamento foi transferido de São José da Tapera para Arapiraca por meio de desaforamento, mecanismo previsto no Código de Processo Penal. O Ministério Público de Alagoas havia pedido o desaforamento argumentando que a forte repercussão do caso e o círculo de amizades do acusado em São José da Tapera poderiam comprometer a imparcialidade dos jurados.
Mônica Cristina Gomes Cavalcante Alves foi assassinada pelo marido com um tiro no peito e morreu antes mesmo de receber socorro médico, em frente ao Fórum da cidade, nas proximidades da casa onde a família morava, em São José da Tapera, no dia 18 de junho de 2023. O caso causou grande comoção no estado, tanto pela brutalidade do assassinato em via pública quanto pelo fato de a vítima ter denunciado abusos momentos antes de ser morta, por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais.
Horas antes do crime, Mônica havia gravado um vídeo relatando viver um relacionamento abusivo marcado por agressões físicas e psicológicas. Nas imagens, registradas enquanto caminhava sozinha por uma área escura, ela relatava estar tentando se esconder do companheiro e chegou a afirmar que, caso fosse encontrada morta, o responsável seria o marido.
Informações da Polícia Civil dão conta que o casal estava em uma festa de São João e tiveram uma discussão. O homem teria ido embora e deixado Mônica, que voltou para casa andando. Ao chegar à residência, a discussão recomeçou e o acusado atirou contra a vítima. Uma pistola calibre 9 milímetros registrada em nome de Leandro e uma camisa com manchas de sangue foram apreendidas e encaminhadas para perícia.
Ele fugiu e ficou 10 meses foragido, até ser localizado e preso em abril de 2024 na cidade de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Posteriormente, ele foi preso e transferido para Alagoas. O réu, que confessou o crime, foi denunciado pelo Ministério Público de Alagoas pela prática de homicídio triplamente qualificado, com base nos incisos de motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima, feminicídio e violência doméstica e familiar.
O processo já passou pela fase de pronúncia, quando a Justiça entendeu que existem indícios suficientes para que o réu seja submetido ao júri. O feminicídio de Mônica completa três anos nesta semana — o crime ocorreu em 18 de junho de 2023 — e a família segue aguardando o julgamento popular.







