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Polícia

Toffoli critica PF por demora e autoriza nova fase de operação contra fraudes

Ministro Dias Toffoli autoriza nova fase da Operação Compliance Zero, critica a Polícia Federal por 'inércia' e cobra explicações por atraso no cumprimento de ordens.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
14 de janeiro, 2026 · 15:26 3 min de leitura
Foto: Nelson Jr./SCO/STF
Foto: Nelson Jr./SCO/STF

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu autorização para uma nova etapa da Operação Compliance Zero. A ação, que investiga suspeitas de fraude na tentativa de venda do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB), resultou em prisões e buscas nesta quarta-feira, 14 de fevereiro. No entanto, o que mais chamou atenção foi a forte crítica do ministro à Polícia Federal (PF), apontando uma suposta falta de rapidez e empenho para cumprir ordens judiciais anteriores.

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Em uma decisão mantida em sigilo, Toffoli não economizou palavras ao questionar a demora da PF. Ele cobrou explicações urgentes do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, sobre o motivo do atraso nas providências que ele mesmo tinha autorizado dias antes.

Quem foi alvo nesta nova fase?

Na manhã de quarta-feira, a Polícia Federal agiu para cumprir os mandados autorizados por Toffoli. Um dos alvos foi Fabiano Zettel, cunhado do CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro. Zettel foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, no momento em que tentava embarcar para Dubai. Os investigadores viam essa viagem como uma “oportunidade única” para colher provas sobre o envolvimento dele nos crimes.

Outro nome de peso que teve um mandado de busca e apreensão cumprido foi o empresário Nelson Tanure. Acionista de empresas como Gafisa e Light e conhecido no mercado financeiro, Tanure foi abordado no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, pouco antes de pegar um voo para Curitiba. Esta é a primeira vez que o empresário é formalmente citado nas investigações. A PF argumentou que precisava fazer a busca no aeroporto por conta do horário do voo, que aconteceria antes do permitido por lei para mandados em residências.

A bronca do ministro na PF

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Toffoli deixou claro seu descontentamento com a Polícia Federal. Segundo ele, as medidas contra Zettel e Tanure foram pedidas pela própria PF ao STF no dia 6 de fevereiro e autorizadas por ele no dia seguinte. O ministro havia dado um prazo de 24 horas, a partir da segunda-feira, dia 12, para que as ordens fossem cumpridas. A PF, porém, só agiu na quarta-feira.

Em sua decisão, Toffoli escreveu:

“Eu achei muito estranho não só o descumprimento do prazo que estabeleci para as medidas, já que outros envolvidos podem estar alterando provas essenciais para o caso, como também a falta de empenho no cumprimento da ordem judicial. A Polícia Federal teve vários dias para planejar e se preparar, e isso poderá trazer prejuízo e fazer com que as providências não deem certo.”

O ministro ainda foi além, afirmando que qualquer problema ou prejuízo nas investigações por conta do atraso seria de “inteira responsabilidade” da autoridade policial, mostrando a gravidade da situação.

O que é a Operação Compliance Zero?

A Operação Compliance Zero investiga fraudes na tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). A primeira fase da operação aconteceu em novembro do ano passado e já havia dado o que falar.

  • Naquela ocasião, a Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro, o CEO do Banco Master, e outros quatro diretores da instituição.
  • O presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor financeiro, Dario Oswaldo Garcia, foram afastados de seus cargos.
  • Um dia depois da prisão de Vorcaro, o Banco Central determinou a liquidação, ou seja, o fechamento do Banco Master.

Atritos anteriores entre STF e PF

Essa não é a primeira vez que há um clima de tensão entre o gabinete de Dias Toffoli e a Polícia Federal nas investigações desse caso. No mês passado, durante o depoimento de Daniel Vorcaro no STF, houve um desentendimento. Toffoli encaminhou 82 perguntas para serem feitas ao investigado, mas a delegada Janaina Palazzo, que liderava a equipe da PF, inicialmente se recusou a fazê-las, alegando que não poderia formular questões que não tivessem sido previamente elaboradas por ela. As perguntas só foram lidas e incluídas no depoimento após ficar registrado em ata que elas vinham do gabinete do ministro.

Com essa nova fase e as duras críticas de Toffoli, a investigação ganha contornos ainda mais complexos, expondo os desafios e as tensões entre as diferentes esferas da Justiça e da polícia no combate a crimes financeiros.

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