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Polícia

Tenente-coronel preso por morte de PM cobrava sexo para pagar contas da casa

"Não vou trocar sexo por moradia", disse PM Gisele ao sugerir separação do marido. Tenente-coronel é acusado de matar a esposa e forjar suicídio.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
19 de março, 2026 · 11:41 4 min de leitura
Imagem: Reprodução/Redes sociais
Imagem: Reprodução/Redes sociais

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) ofereceu denúncia contra o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto pela morte de sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos. A policial foi encontrada baleada no apartamento do casal, na região do Brás, centro da capital paulista, em 18 de fevereiro. O oficial foi preso preventivamente na manhã desta quarta-feira (18), em São José dos Campos (SP).

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A denúncia acusa o tenente-coronel de feminicídio — qualificado por motivo torpe e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima — e fraude processual. A defesa, por sua vez, sustenta a tese de suicídio e repudia o que classifica como exposição indevida da vida privada do casal.

De acordo com os promotores, o relacionamento do casal era marcado por episódios de violência física, psicológica, humilhações e tentativas de isolamento da vítima de seu círculo social. A peça acusatória aponta que o oficial apresentava comportamento possessivo e autoritário.

Mensagens extraídas do celular do tenente-coronel revelaram que ele exigia relações sexuais como contrapartida pelo pagamento das despesas domésticas. Em uma das conversas destacadas pelo MP, o denunciado lista seus gastos e cobra a esposa:

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"Eu invisto todos os meses, 3 mil reais de aluguel, 2 mil reais de condomínio, 500 reais de água e luz, 500 reais de gás, fora as coisas que eu compro de mercado e todas as vezes que nós saímos eu pago tudo sozinho (...) e você investe quanto? Não tem dinheiro, beleza. Investe amor, carinho, atenção, dedicação, sexo.... mas nem isso você faz", escreveu o oficial.

Em resposta, no dia 2 de fevereiro — semanas antes de sua morte —, Gisele reiterou o desejo de se divorciar, o que o MP aponta como o motivador do crime: "Por mim separamos, não vou trocar sexo por moradia e ponto final". Dias antes da morte, a soldado teria pedido ajuda aos pais, afirmando não suportar mais a relação e relatando agressões recentes.

Acusações de fraude processual no dia da morte

A acusação detalha que, por volta das 7h28 do dia 18 de fevereiro, durante uma discussão, o tenente-coronel teria segurado a cabeça da vítima e efetuado um disparo contra o lado direito do crânio de Gisele.

Segundo o MP, após o ato, o oficial cometeu fraude processual ao tentar simular uma cena de suicídio. As investigações apontam as seguintes irregularidades:

  • Manipulação da cena: O corpo da vítima teria sido reposicionado e a arma colocada em sua mão.

  • Ocultação de provas: O denunciado teria escondido vestígios e lavado as mãos para dificultar a análise da perícia (residuográfica).

  • Omissão de socorro: O acionamento de ajuda médica teria ocorrido com um atraso de cerca de meia hora, período utilizado para alterar o local dos fatos.

O MP também alega que o tenente-coronel utilizou sua patente para desrespeitar orientações de preservação do local do crime e exercer influência sobre subordinados, o que justificou o pedido de prisão preventiva e afastamento do cargo para garantir a ordem pública e a instrução criminal.

O posicionamento da Defesa

Em nota divulgada na noite de quarta-feira (18), o escritório Malavasi Sociedade de Advogados, que representa o tenente-coronel, reiterou a inocência do cliente, afirmando que ele aguarda a "completa elucidação dos fatos" e sustenta que a policial tirou a própria vida.

A defesa manifestou forte oposição à decretação de prisões por duas esferas diferentes (Justiça Militar e Justiça Comum) pelos mesmos fatos. Os advogados informaram que:

  • O oficial não tentou se ocultar desde que soube dos pedidos de prisão e forneceu seu endereço espontaneamente à Justiça.

  • Não houve resistência ao cumprimento do mandado, embora a defesa o considere "manifestamente ilegal" por questão de competência de jurisdição.

  • Foi ajuizada uma Reclamação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) contra o decreto da Justiça Militar, e estuda-se um habeas corpus contra a decisão da 5ª Vara do Júri da Capital.

Por fim, os advogados criticaram o vazamento de informações do processo. "Seguem sendo divulgadas informações e interpretações que alcançam aspectos de sua vida privada, muitas vezes por meio de conteúdos descontextualizados (...) A intimidade, a vida privada, a honra e a imagem constituem direitos fundamentais" , diz a nota, alertando que a equipe jurídica tomará medidas contra o que considera vilipêndio desses direitos.

O caso agora deverá seguir os trâmites legais para que seja analisado pelo Tribunal do Júri.

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Imagem: Reprodução/Redes sociais
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