A Justiça da Bahia condenou nesta quarta-feira (4) um suboficial da Marinha Mercante a mais de cinco décadas de reclusão pelo assassinato brutal da companheira. A 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Salvador condenou Gilmar Correia da Silva a 54 anos e 2 meses de reclusão em regime inicial fechado pelo feminicídio de sua então companheira.
O crime ocorreu em 5 de janeiro de 2025, dentro do apartamento onde o casal morava, no bairro de São Rafael, na capital baiana. Ele e a vítima, Lindiane Rufino Soares, mantinham um relacionamento de 19 anos e tinham uma filha de 10 anos à época do fato.
O laudo do exame necroscópico confirmou a extrema violência da ação, apontando perfurações em diferentes órgãos do corpo da vítima e um total de 44 golpes de faca, além de uma amputação traumática na ponta do polegar direito.
Durante o julgamento, o réu admitiu a autoria do feminicídio, o que levou a defesa a tentar sensibilizar os sete jurados sobre a existência, ou não, de circunstâncias que poderiam agravar a pena. Ao final, o conselho de sentença concluiu que o crime ocorreu em contexto de violência doméstica e familiar, caracterizando feminicídio, e reconheceu duas qualificadoras: uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. O juiz também acolheu a tese do Ministério Público e considerou o motivo torpe como agravante.
No dia do homicídio, Gilmar, que trabalha embarcado, pediu ao chefe uma folga alegando que precisava resolver problemas pessoais. Após o crime, ele tentou deixar o local utilizando um carro por aplicativo, mas o motorista recusou a corrida ao perceber que o passageiro estava com as roupas manchadas de sangue. A polícia foi acionada e o acusado acabou preso em flagrante por uma policial militar que estava fora de serviço e seguia para casa.
A decisão de manter o acusado preso foi reforçada pela juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos, que negou o pedido de liberdade provisória da defesa, avaliando que a gravidade do caso ficou evidenciada pela multiplicidade de lesões e pela amputação sofrida pela vítima.
Segundo familiares, o relacionamento enfrentava conflitos desde dezembro de 2024. O julgamento integrou o projeto TJBA Mais Júri, iniciativa do Tribunal de Justiça da Bahia que, desde 2024, intensifica o julgamento dos crimes dolosos contra a vida, como resposta à necessidade de reduzir o número de processos pendentes nas varas responsáveis por casos como homicídios e feminicídios.
Em caso de violência doméstica, a vítima pode ligar para o 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou acionar o 190 (Polícia Militar) a qualquer momento.







