O síndico Cléber Rosa de Oliveira confessou à Polícia Civil que matou a corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, depois de uma briga séria. O crime aconteceu no subsolo de um prédio em Caldas Novas, em Goiás. A informação foi revelada pelo jornal O Globo nesta quarta-feira (28), detalhando que Cléber e seu filho, Maykon Douglas de Oliveira, foram presos de madrugada. Eles são acusados de homicídio e de tentar atrapalhar a Justiça.
A polícia investiga o caso e diz que o motivo do assassinato é considerado "torpe", um termo que a lei usa para crimes com motivação desprezível. Tudo indica que a morte está ligada a brigas antigas entre Daiane e o síndico sobre como o prédio era administrado. Um dos pontos de discórdia eram os episódios em que a energia elétrica do apartamento de Daiane teria sido desligada várias vezes.
O dia do desaparecimento e a busca pelo corpo
Daiane Alves Souza sumiu no dia 17 de dezembro. Naquele dia, ela percebeu que o seu apartamento estava sem energia elétrica. Preocupada, foi até o hall do prédio e notou que só a sua unidade estava no escuro. Por volta das 18h56, ela gravou vídeos explicando a situação e mandou para uma amiga. Pouco depois, às 18h59, as câmeras de segurança mostraram Daiane entrando no elevador e descendo para o subsolo, onde fica o quadro geral de energia do edifício. Durante o trajeto, ela continuou filmando e enviando os vídeos. Foi a última vez que ela foi vista nas câmeras do prédio.
Os investigadores trabalham com a hipótese principal de que o assassinato aconteceu em um "ponto cego", uma área sem cobertura das câmeras de segurança do condomínio. Após a morte, o corpo de Daiane foi levado na cabine de um carro e abandonado em uma área de mata da cidade, onde foi encontrado semanas depois. Essa informação foi confirmada pelos delegados em uma entrevista coletiva nesta quarta-feira.
Filho do síndico preso por tentar atrapalhar a investigação
Maykon Douglas de Oliveira, filho de Cléber, também foi preso. A polícia descobriu que, logo depois que o síndico voltou do lugar onde o corpo foi abandonado, Maykon comprou um telefone celular novo para o pai. Para os policiais, essa atitude é um forte indício de que ele tentou atrapalhar as investigações.
A perícia ainda não encontrou provas técnicas, como vestígios, no carro usado por Cléber ou no subsolo do prédio que confirmem o local exato do assassinato. O porteiro do condomínio contou à polícia que as câmeras de segurança estavam funcionando perfeitamente na hora dos fatos. Outro detalhe que intriga os investigadores é que, no dia do desaparecimento, Daiane deixou a porta do apartamento aberta, mas, no dia seguinte, quando seus familiares voltaram, o imóvel já estava fechado. A polícia agora busca saber quem acessou o apartamento nesse intervalo.
Histórico de conflitos: síndico já foi acusado de perseguição
Não era a primeira vez que Cléber Rosa de Oliveira tinha problemas com Daiane. Ele já havia sido denunciado pelo Ministério Público de Goiás pelo crime de perseguição reiterada, conhecido como "stalking", contra a corretora. Na época, a defesa do síndico negou as acusações. As investigações continuam para entender todos os detalhes da dinâmica do crime, verificar se outras pessoas participaram e traçar o caminho exato que o corpo percorreu até ser encontrado.







