Uma operação policial inédita agitou a cidade de Itagibá, na Bahia, nesta terça-feira (27). Um secretário e uma servidora da Controladoria municipal foram retirados de seus cargos enquanto a polícia investiga um grande esquema de fraude em contratos. A suspeita é que dinheiro público tenha sido desviado através de acordos irregulares com empresas privadas que prestavam serviços à prefeitura.
A ação da polícia não ficou restrita a Itagibá. Ao todo, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em quatro cidades baianas: sete em Itagibá, quatro em Dário Meira, três em Ipiaú e um em Jequié. As equipes vasculharam escritórios e residências em busca de provas que pudessem esclarecer a dimensão do golpe.
O que a polícia encontrou e investiga
Durante as buscas, os agentes apreenderam uma série de materiais importantes para a investigação. Foram recolhidos celulares, computadores e documentos, todos eles serão analisados detalhadamente para revelar a profundidade do esquema. Além disso, a polícia encontrou e apreendeu cerca de R$ 70 mil em dinheiro vivo, um valor que levanta ainda mais suspeitas sobre a origem e o destino dos recursos.
A Justiça também agiu rápido para tentar recuperar os valores desviados. Determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 2 milhões em bens e contas bancárias de cada pessoa investigada. Essa medida busca garantir que, caso as fraudes sejam comprovadas, os cofres públicos possam ser ressarcidos.
As investigações apontam que o grupo criminoso agia de forma organizada, com uma clara divisão de tarefas. A suspeita é que agentes públicos e representantes de duas empresas privadas de consultoria trabalhavam juntos. Eles teriam orquestrado o “direcionamento contratual”, ou seja, manipulavam os processos para que essas empresas específicas ganhassem os contratos, muitas vezes sem a necessidade de licitação, o que é uma violação grave das leis brasileiras.
A polícia acredita que esses contratos eram “superfaturados”, ou seja, os valores pagos pela prefeitura eram inflacionados, muito acima do preço real dos serviços. O dinheiro extra, que deveria beneficiar a população, era então desviado para o bolso dos envolvidos. Os criminosos ainda usavam mecanismos sofisticados para tentar esconder o rastro do dinheiro.
“As apurações indicam atuação coordenada entre agentes públicos e representantes de duas empresas privadas de consultoria, com vínculos diretos com os contratos investigados. O grupo apresentava divisão de tarefas, estabilidade e mecanismos voltados à ocultação e ao desvio de recursos públicos oriundos de contratos supostamente superfaturados.”
Próximos passos da investigação
A polícia informou que o trabalho continua. O objetivo agora é identificar outros valores que podem ter sido desviados e descobrir se existem mais pessoas envolvidas nesse esquema criminoso. Os nomes dos investigados foram divulgados, mas a reportagem não obteve retorno da Prefeitura de Itagibá ou das defesas dos envolvidos até a última atualização.
Essa operação reforça o compromisso das autoridades em combater a corrupção e garantir que o dinheiro público seja usado para o benefício da sociedade, e não para enriquecer indivíduos de forma ilegal.







