A Polícia Civil da Bahia concluiu a fase de prisões no caso do feminicídio de Paloma Izabel Ramos dos Santos, de 41 anos, morta no último domingo (5) no bairro de Tancredo Neves, em Salvador. Nesta quinta-feira (9), um terceiro suspeito se apresentou à polícia na cidade de Serrinha, no interior do estado, e todos os investigados passaram a estar sob custódia judicial.
A Polícia Civil investiga a morte de Paloma, encontrada sem vida dentro de uma residência na Avenida São Paulo, em Tancredo Neves. O corpo foi localizado por vizinhos e pelo irmão da vítima após perceberem um forte cheiro de gás vindo do imóvel, e o registro de gás havia sido deixado aberto. Paloma apresentava sinais de violência, como hematomas no rosto e uma perfuração na cabeça.
Além de se apresentar voluntariamente, o suspeito foi alvo de um mandado de prisão temporária cumprido na mesma data. Segundo informações divulgadas pelo BNews, a ação foi realizada pela 15ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (15ª Coorpin), com apoio do Grupo de Apoio Tático e Técnico à Investigação (Gatti/Sisal) e do Serviço de Investigação da Delegacia Territorial de Serrinha. O mandado foi expedido pelo Plantão Judiciário de 1º Grau do Tribunal de Justiça da Bahia. O investigado, identificado pelas iniciais A.W.S., é apontado como autor do assassinato.
O crime é apurado pela 2ª Delegacia de Homicídios (DH/Central). A morte foi tipificada como feminicídio, previsto no artigo 121-A do Código Penal. Paloma trabalhava como atendente comercial. O sepultamento foi realizado na segunda-feira (6), no Cemitério Bosque da Paz, em Salvador.
De acordo com familiares, segundo o BNews, Paloma havia encerrado recentemente o relacionamento após descobrir que o então namorado era casado. A família apontou o ex-namorado como principal suspeito, alegando que ele não aceitava o fim do relacionamento. A polícia não confirmou oficialmente essa motivação.
O caso reflete um padrão alarmante no estado. Em 2025, a Bahia registrou 102 feminicídios, uma redução de 7,3% em relação ao ano anterior, quando foram registrados 110 casos. O parceiro íntimo — companheiros, ex-companheiros, namorados e ex-namorados — foi o autor em nove de cada dez feminicídios, e 85% dos casos ocorreram dentro do domicílio.
No Brasil, o cenário é ainda mais grave. O país registrou 399 vítimas de feminicídio apenas entre janeiro e março de 2026, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública — uma média de quatro mulheres mortas por dia, o equivalente a uma vítima a cada cinco horas. O período foi o primeiro trimestre mais letal da história do país desde o início dos registros, em 2015.
Denúncias de violência doméstica podem ser feitas pelo número 180, a Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana, de forma gratuita e anônima.







