Um caso que chocou Teixeira de Freitas, no Extremo Sul da Bahia, há quase 11 anos terá um novo capítulo importante. A Justiça determinou que um policial militar, acusado de atirar em uma vizinha e em seus cães – causando a morte de um deles –, seja submetido a júri popular. A decisão, embora recente, ainda cabe recurso.
A história remonta ao dia 13 de junho de 2015. Naquela época, o então tenente da Polícia Militar, Wilson Pedro dos Santos Júnior, morava em um condomínio na cidade. Segundo as investigações, ele se irritou porque os cachorros da vizinha urinaram no gramado da sua casa.
Entenda como o crime aconteceu
Imagens de câmeras de segurança instaladas no condomínio gravaram o momento do ataque. Nos vídeos, a advogada tributarista Bruna Holtz aparece passeando com seus dois cachorros. Depois que um dos animais fez xixi no gramado da casa do PM, Wilson Pedro teria ido atrás da mulher e atirado várias vezes.
Um dos cães foi atingido pelos tiros e não resistiu, morrendo no local. O outro, por sorte, conseguiu ser salvo. Além de ferir os animais, o PM também teria atirado na própria vizinha.
Decisão da Justiça e as consequências
A determinação de que o policial militar vá a júri popular foi publicada na última sexta-feira, 23 de fevereiro, pelo juiz Gustavo Vargas Quinamo. O magistrado entendeu que existem provas suficientes para Wilson Pedro dos Santos Júnior ser julgado por tentativa de homicídio contra a tutora dos animais.
No entanto, em relação ao crime contra o cachorro, o juiz explicou que o caso prescreveu. Isso significa que o prazo legal para que o crime de maus-tratos contra o animal fosse julgado se esgotou.
O policial militar responde ao processo em liberdade, e a data exata da sessão do júri ainda será definida. Após o episódio, a advogada Bruna Holtz e seu marido, o fisioterapeuta Bruno Medeiros, mudaram-se do imóvel onde moravam. Eles relataram ter medo de sofrer represálias. Na época do crime, o policial foi afastado das suas funções, mas não há informações sobre como está sua situação na corporação hoje.
“É uma longa espera por justiça, quase 11 anos depois de um ato tão violento. Esperamos que o júri traga uma resposta clara para a comunidade e para as vítimas”, disse um morador local, que preferiu não se identificar.







