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PC-BA deflagra operação e mira quadrilha que movimentou R$ 4,2 mi com golpe do falso advogado

Ação coordenada pelo DEIC cumpre mandados em 10 cidades de SP e RN; grupo usava dados reais de processos judiciais para convencer vítimas a fazer transferências bancárias.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
27 de maio, 2026 · 06:52 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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A Polícia Civil da Bahia deflagrou, na manhã desta quarta-feira (27), a Operação Falsa Ordem, voltada a desmontar uma organização criminosa especializada em estelionatos eletrônicos. De acordo com informações divulgadas pela PC-BA, as diligências ocorrem simultaneamente em 10 cidades dos estados de São Paulo e Rio Grande do Norte, com cumprimento de mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva.

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A ação é coordenada pelo Departamento Especializado de Investigações Criminais (DEIC), por meio da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC). As apurações apontam que o grupo tinha ramificações identificadas também nos estados do Rio de Janeiro, Paraná e Pernambuco.

Um dos principais esquemas investigados é o chamado "golpe do falso advogado". Essa fraude deixou de ser uma prática rudimentar baseada em mensagens genéricas e passou a se estruturar sobre o cruzamento sofisticado de informações obtidas em processos eletrônicos, redes sociais e aplicativos de comunicação. Segundo informações divulgadas pela polícia baiana, o grupo obtinha dados reais de processos judiciais e entrava em contato com as vítimas se passando por advogados ou representantes de escritórios de advocacia, usando linguagem técnica, fotografias, nomes verdadeiros e até documentos processuais legítimos.

O objetivo era convencer as vítimas a realizar transferências bancárias sob alegações como liberação de valores judiciais, pagamento de custas processuais ou desbloqueio de alvarás. Os criminosos acessam bancos de dados públicos, plataformas processuais ou redes ilícitas para reunir informações detalhadas das vítimas — como nome completo, CPF, número de processos, valores, tipo de ação e até nome de advogados constituídos.

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O golpe tem crescido rapidamente no país. A modalidade tem sido observada de forma crescente e, até o final do ano passado, segundo a OAB, mais de 17 mil pessoas haviam sido atingidas. Em resposta ao avanço do crime, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei e seccionais da OAB ajuizaram ações cobrando providências de tribunais, plataformas digitais, bancos e operadoras de telefonia. Pelo texto aprovado, o golpe do falso advogado passa a constar do Código Penal como crime autônomo do estelionato, punido com reclusão de 4 a 8 anos e multa, com aumento de 1/3 ao dobro se envolver várias vítimas ou atuação interestadual.

Além das fraudes virtuais, segundo informações divulgadas pela PC-BA, um núcleo da organização também atuava em shows e grandes eventos nas capitais da Bahia, Pernambuco e Paraná. Um dos criminosos se passava por ambulante e, ao receber o cartão da vítima para pagamento, trocava o original por outro semelhante. Os cartões furtados eram usados para adquirir equipamentos eletrônicos — como videogames —, que seriam vendidos em uma loja de receptação em São Paulo.

As investigações apontam que o grupo movimentou mais de R$ 4,2 milhões em operações financeiras relacionadas às fraudes praticadas, segundo informações da PC-BA. As diligências seguem em andamento, com prioridade para apreensão de dispositivos eletrônicos que serão submetidos à perícia técnica, visando identificar outros envolvidos e ampliar o rastreamento financeiro.

A Operação Falsa Ordem integra um cenário mais amplo de combate às fraudes digitais no Brasil. Dados do Banco Central indicam que, apenas em 2024, foram registradas 4,7 milhões de notificações de fraude, gerando um prejuízo estimado em R$ 6,5 bilhões para a economia brasileira. A PC-BA reforça que qualquer contato solicitando transferências bancárias em nome de processos judiciais deve ser tratado com desconfiança e comunicado às autoridades.

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