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Padre na Paraíba Faz Acordo com MPF Por Falas Sobre Preta Gil

Padre Danilo César, de Areial, Paraíba, firmou acordo com o MPF para não ser processado após falas sobre Preta Gil e religiões de matriz africana.

Redação ChicoSabeTudo
06 de fevereiro, 2026 · 10:07 2 min de leitura
Foto: Reprodução / Redes Sociais
Foto: Reprodução / Redes Sociais

O padre Danilo César, que cuida da paróquia de São José em Areial, na Paraíba, fez um acordo importante com o Ministério Público Federal (MPF). Com isso, ele evita um processo criminal depois de ter sido denunciado por intolerância religiosa.

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As polêmicas declarações que levaram a essa situação aconteceram durante uma missa, transmitida ao vivo pela internet em julho de 2025. Na ocasião, o padre fez comentários sobre a cantora Preta Gil, que havia morrido por conta de um câncer colorretal, e também sobre religiões de matriz africana. O acordo foi oficializado pela juíza federal Cristiane Mendonça Lage.

Entenda as Declarações que Causaram o Problema

Durante a homilia, que pôde ser vista no YouTube da paróquia, o padre Danilo César fez associações entre a fé da cantora e sua morte. Ele perguntou:

“Cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?”

Em outro momento, ele se referiu a práticas de matriz afro-indígena com a frase:

“E tem católico que pede essas coisas ocultas, eu só queria que o diabo viesse e levasse.”
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Essas falas rapidamente geraram revolta. O artista Gilberto Gil, pai de Preta Gil, chegou a mandar uma notificação para a Diocese de Campina Grande e para o próprio padre, pedindo uma retratação pública. A irmã da cantora, Bela Gil, também falou sobre o assunto quando as declarações vieram à tona. Além disso, a Associação Cultural de Umbanda, Candomblé e Jurema Mãe Anália Maria, da região de Areial, achou as falas preconceituosas. O presidente da instituição, Rafael Generiano, registrou um boletim de ocorrência por intolerância religiosa na época.

O que o Acordo Pede do Padre

Para que o processo não avance, o padre Danilo César se comprometeu a cumprir algumas tarefas. Entre elas, estão:

  • Fazer 60 horas de cursos sobre intolerância religiosa.
  • Escrever três resenhas à mão sobre livros que abordam o tema.
  • Pagar R$ 4.863,00 para a Associação de Apoio aos Assentamentos e Comunidades Afrodescendentes (AACADE).
  • Participar de um ato inter-religioso junto com a Igreja Católica e representantes de religiões de matriz africana, em João Pessoa, na Paraíba. A família de Preta Gil será convidada para esse evento.

Ele tem até o fim de junho para entregar as três resenhas e mostrar que já fez pelo menos 20 horas dos cursos.

Importante saber: o padre também assinou um termo de confissão sobre a sua conduta de intolerância religiosa. Se ele não cumprir o que foi combinado no acordo, essa confissão poderá ser usada como prova em um novo processo contra ele, caso a ação penal seja reaberta.

Antes desse acordo com o MPF, a Polícia Civil da Paraíba já havia investigado o caso em novembro e não o havia indiciado, pois entendia que a conduta não se encaixava na lei da época. O Ministério Público Estadual (MP-PB) também acompanhava o caso, junto com o MPF.

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