A Justiça do Maranhão condenou, na madrugada desta terça-feira (23), Jordélia Pereira Barbosa a 66 anos, 8 meses e 7 dias de prisão em regime fechado pelo envenenamento que matou dois irmãos em Imperatriz, em abril de 2025. O Tribunal do Júri da 3ª Vara Criminal da Comarca reconheceu duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado contra a mãe das vítimas.
As crianças mortas foram Luiz Fernando Rocha Silva, de 7 anos, e Evillyn Fernanda Rocha Silva, de 13. Os irmãos morreram após consumir um ovo de Páscoa contaminado com chumbinho — pesticida usado clandestinamente como veneno para ratos — entregue à residência da família por um mototaxista. A mãe, Mírian Lira Rocha, também ingeriu o chocolate, ficou internada em estado grave na UTI, chegou a ser intubada, mas sobreviveu.
O crime foi motivado por ciúmes e vingança. Jordélia era ex-companheira do namorado de Mírian à época. Segundo a investigação, ela planejou o ataque com alto grau de premeditação: viajou de Santa Inês a Imperatriz usando disfarces, se hospedou num hotel com identidade falsa, monitorou a rotina da família e contratou um mototaxista para entregar o presente. O ovo foi acompanhado de um bilhete com a mensagem: "Com amor para Mirian Lira. Feliz Páscoa!!!".
O juiz Fábio da Costa Vilar fixou as penas de forma separada para cada vítima: 25 anos, 11 meses e 6 dias pela morte de Luiz Fernando; igual período pela morte de Evillyn; e 14 anos, 9 meses e 25 dias pela tentativa de homicídio contra Mírian. Como os crimes foram considerados praticados com intenções independentes contra cada vítima, as penas foram somadas.
O júri reconheceu as qualificadoras de motivo torpe, uso de veneno, dissimulação e crime cometido contra vítimas menores de 14 anos. A Justiça também fixou indenização por danos morais: 100 salários mínimos para Mírian e 400 salários mínimos para os pais das crianças.
Durante o julgamento, Jordélia admitiu ter comprado e enviado o ovo de Páscoa, mas negou ter colocado o veneno, atribuindo a responsabilidade a terceiros. A versão foi rejeitada pela Justiça com base nas provas reunidas. Ela está presa desde 17 de abril de 2025, logo após o crime, e o juiz negou o direito de recorrer em liberdade, determinando o cumprimento imediato da pena.







