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Polícia

Operação prende quatro PMs por execução e fraude em Cruz das Almas

Quatro policiais militares foram presos na Bahia durante a 'Operação Silêncio Quebrado', acusados de executar um homem e fraudar a cena do crime em Cruz das Almas.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
12 de dezembro, 2025 · 10:49 2 min de leitura
Foto: Divulgação / MP-BA
Foto: Divulgação / MP-BA

Quatro policiais militares foram presos nesta sexta-feira (12) em uma grande ação integrada, batizada de “Operação Silêncio Quebrado”. Os PMs são acusados de envolvimento na morte de Josimar Pereira dos Santos, ocorrida em 25 de fevereiro de 2024, no povoado de Poções, em Cruz das Almas, na Bahia.

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As prisões aconteceram em diferentes cidades, como Cruz das Almas, Governador Mangabeira, Salvador, Feira de Santana e Sapeaçu. Além do homicídio qualificado, os policiais, que eram da 27ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), também vão responder por fraude processual e por ameaçar testemunhas.

A investigação, conduzida pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), junto com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), revelou uma versão dos fatos bem diferente da que os policiais apresentaram inicialmente. Enquanto os PMs registraram a morte como resultado de uma troca de tiros e resistência armada, as provas periciais e o depoimento de testemunhas desmentiram essa narrativa.

O que as investigações apontam

De acordo com a apuração detalhada do MP-BA, Josimar Pereira dos Santos estava em um bar com amigos, relaxando depois de uma partida de futebol. Foi nesse momento que os policiais chegaram, revistaram as pessoas que estavam ali e levaram Josimar para os fundos do estabelecimento.

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“Josimar foi executado de forma sumária, com um único tiro de arma de fogo, nos fundos do bar”, diz um trecho da denúncia do MP-BA, que contradiz completamente a versão de confronto.

As investigações foram além e descobriram que, após o crime, os policiais recolheram dados pessoais e fotografaram todas as pessoas presentes no local. Eles teriam ameaçado essas pessoas para que não contassem o que viram.

Para tentar dar um ar de legalidade à ação, os policiais teriam, conforme a denúncia, removido o corpo de Josimar e depois apresentado uma arma e drogas, alegando que teriam sido encontradas com a vítima. Essa manobra é o que configura o crime de fraude processual, buscando alterar a verdade dos fatos para justificar a execução.

A Operação “Silêncio Quebrado”

A ordem de prisão preventiva para os quatro policiais, assim como seis mandados de busca e apreensão, foram determinados pela Vara Crime de Cruz das Almas. Durante as buscas nas casas e locais de trabalho dos acusados, foram encontrados e apreendidos telefones celulares, outros aparelhos eletrônicos e munições, itens que podem conter mais provas importantes para o caso.

A “Operação Silêncio Quebrado” mostra a força da colaboração entre diferentes órgãos de segurança. Ela foi executada pelos Grupos de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp) e de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais (Gaeco), ambos do MP da Bahia.

Participaram também a Força Correcional Especial Integrada da Corregedoria Geral (Force), a Corregedoria da Polícia Militar e o Batalhão de Choque, todos ligados à SSP. Essa união de forças é crucial para garantir a integridade e a justiça dentro das próprias instituições policiais.

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