A Polícia Civil da Bahia deflagrou, na manhã desta quinta-feira (16), a Operação Narciso no município de Barreiras, no oeste do estado, e apreendeu 200 canetas emagrecedoras — medicamentos injetáveis indicados para o tratamento da obesidade e do diabetes — avaliadas em cerca de R$ 164 mil. A ação investiga a comercialização clandestina desses produtos sem prescrição médica e em desacordo com a legislação sanitária, segundo informações da Polícia Civil.
Ao longo das diligências, equipes da 11ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin/Barreiras) cumpriram 11 mandados de busca e apreensão. Além dos medicamentos, os policiais recolheram documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais que serão submetidos à perícia para auxiliar nas investigações.
As apurações tiveram início após denúncias anônimas informando que os produtos eram vendidos de forma irregular por redes sociais, aplicativos de mensagens e contatos pessoais, sem exigência de receita médica. Os investigadores identificaram indícios de que os medicamentos eram comercializados por valores elevados e tinham origem, procedência e condições de armazenamento desconhecidas — fatores que representam risco direto à saúde dos consumidores.
A operação busca desarticular a rede de distribuição dos produtos, identificar todos os responsáveis e responsabilizá-los criminalmente. A polícia também apura a possível prática de outros crimes relacionados ao esquema. As investigações continuam para esclarecer os fatos e mapear os demais integrantes do grupo.
A apreensão em Barreiras se insere em um cenário de crescimento do comércio ilegal de canetas emagrecedoras em todo o estado. Só em 2025, a Receita Federal apreendeu na Bahia 385 canetas emagrecedoras, além de 681 caixas vazias e 222 adesivos de medicamentos. Em junho deste ano, a Polícia Civil também deflagrou a Operação Prize, coordenada pelo Departamento Especializado de Investigações Criminais (DEIC), que tinha como alvo um grupo investigado por comercializar irregularmente substâncias divulgadas como canetas emagrecedoras.
Os riscos para quem adquire esses medicamentos fora dos canais regulares são graves. Um produto vendido como semaglutida ou tirzepatida pode ter dose diferente da informada, composição desconhecida, armazenamento inadequado, contaminação ou até não conter a substância prometida. Dados da Anvisa mostram que, entre dezembro de 2018 e dezembro de 2025, a agência investigou 65 mortes suspeitas de complicações associadas ao uso dessas medicações e recebeu 2.436 notificações de eventos adversos.
O uso indiscriminado de agonistas GLP-1 pode causar efeitos colaterais graves, entre eles pancreatite aguda em formas necrotizantes e fatais, problemas gastrointestinais severos, úlceras e hemorragias. Desde junho de 2025, farmácias e drogarias devem reter receitas de medicamentos agonistas GLP-1, como Ozempic, Mounjaro e Wegovy.
Uma pesquisa sobre automedicação e acesso irregular às canetas emagrecedoras identificou um aumento de 35% no consumo dessas substâncias, sobretudo entre mulheres jovens, impulsionado pela ampla oferta em farmácias e plataformas online. O Procon reforça que a oferta desses medicamentos por redes sociais ou aplicativos de mensagem é ilegal e fere o Código de Defesa do Consumidor.
Todo o material apreendido na Operação Narciso passará por procedimentos periciais. A Polícia Civil não divulgou, até o momento, o número de suspeitos identificados ou detidos durante a ação.







