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Polícia

Operação Arena: PF acha 549 CPFs de mortos usados em lavagem

Documentos de pessoas falecidas há mais de 20 anos apareceram em operações de câmbio ligadas à Pixbet

Redação ChicoSabeTudo
15 de agosto, 2026 · 12:26 2 min de leitura
Sede da Polícia Federal durante operação contra lavagem de dinheiro
Sede da Polícia Federal durante operação contra lavagem de dinheiro

A Polícia Federal encontrou 549 números de CPF pertencentes a pessoas mortas em documentos ligados a operações financeiras investigadas na Operação Arena, deflagrada nesta quinta-feira (13). Alguns dos titulares haviam falecido há mais de 20 anos, mas os registros continuaram circulando em movimentações de câmbio destinadas ao exterior.

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A operação apura um suposto esquema de evasão de divisas e lavagem de dinheiro envolvendo o mercado de apostas esportivas e empresas ligadas à Pixbet, plataforma de apostas on-line. Segundo a investigação, parte do dinheiro seguia para companhias sediadas em Curaçao, incluída a suspeita de uma empresa de fachada por lá instalada.

De acordo com a representação enviada à Justiça Federal, a Pixbet tem sede em Campina Grande, na Paraíba. A investigação é conduzida em parceria com o Ministério Público da Paraíba e a Receita Federal, que ajudaram a mapear o fluxo de recursos.

O sistema que autoriza a compra de moeda estrangeira chegou a emitir alertas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre inconsistências nos documentos. Mesmo assim, os CPFs de pessoas mortas seguiram vinculados às transações. Em alguns casos, os nomes associados aos registros foram trocados depois dos alertas, mas os números de CPF permaneceram os mesmos.

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Para os investigadores, a manobra poderia ter servido para mascarar a identidade real de quem estava por trás das movimentações, facilitando o envio irregular de valores para fora do país. A origem dos dados de pessoas falecidas ainda é apurada pela corporação.

A Operação Arena cumpriu 17 mandados de busca e apreensão em cinco estados: Paraíba, São Paulo, Rio de Janeiro, Sergipe e Paraná. A Justiça autorizou o bloqueio de bens que pode somar até R$ 1,1 bilhão.

Entre os alvos está o advogado Nelson Wilians, cujo escritório presta serviços jurídicos à Pixbet. A defesa afirmou que a relação com a empresa é exclusivamente profissional. O empresário Ernildo Júnior de Farias Santos, apontado como dono da plataforma, também foi alvo da ação. Na Paraíba, ele foi abordado por policiais federais enquanto transitava de carro na entrada de Campina Grande, ocasião em que o veículo e o telefone celular foram apreendidos por determinação judicial.

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Separadamente, o Ministério da Fazenda suspendeu de forma cautelar a licença da Pixbet nesta quinta-feira, apontando problemas no sistema de proteção a apostadores compulsivos e a falta de documentação exigida pela regulamentação. Enquanto a suspensão estiver em vigor, os usuários só poderão sacar valores já depositados, já que as apostas ainda não finalizadas serão canceladas e os valores devolvidos aos apostadores.

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