Uma mulher precisou acionar a Polícia Militar depois que seu ex-marido tentou entrar à força em sua residência, localizada na Rua Dom Bosco, em Pão de Açúcar, no médio Sertão de Alagoas. O filho do ex-casal estava no imóvel e acompanhou toda a situação, ficando bastante abalado.
Segundo informações divulgadas pelo portal IT Notícias, o homem insistiu em ser deixado entrar e ainda informou que buscaria algo em seu veículo, sem explicar do que se tratava. A afirmação gerou ainda mais apreensão dentro da casa.
Apesar da pressão, o ex-companheiro foi embora antes de a guarnição chegar ao local. Ele não chegou a entrar no imóvel. A Polícia Militar registrou a ocorrência e orientou a vítima sobre os procedimentos legais disponíveis, incluindo a possibilidade de solicitar medidas protetivas de urgência.
O episódio se encaixa em um padrão recorrente na região. Pão de Açúcar tem registrado casos frequentes de violência doméstica envolvendo ex-companheiros. Em maio deste ano, uma mulher viveu momentos de terror na cidade após ter a casa invadida pelo ex-companheiro, mesmo com uma medida protetiva em vigor. A vítima acionou a polícia com ajuda de uma vizinha, mas, antes da chegada da guarnição, o homem já havia fugido.
Especialistas alertam que a violência doméstica nem sempre começa com agressão física. Em muitos casos, ela surge de forma gradual, com comportamentos que acabam sendo naturalizados dentro da relação. "Não se deve esperar a primeira agressão física para denunciar. Muitas vezes a violência começa com agressões psicológicas, ameaças ou controle financeiro", alertam profissionais da área.
Em 2026, a Lei Maria da Penha passou por mudanças significativas. As alterações tocam em praticamente todas as frentes: os tipos penais se expandiram, as medidas protetivas ganharam eficácia executiva imediata e o regime disciplinar penitenciário foi endurecido. Uma das novidades mais relevantes é a monitoração eletrônica do agressor como medida protetiva autônoma. A lei prevê expressamente a cumulação das medidas protetivas de urgência com a monitoração eletrônica do agressor, disponibilizando também à vítima dispositivo de segurança que alerte sobre eventual aproximação.
Também há avanços na execução das medidas cíveis. A Lei 15.411/2026 alterou a Lei Maria da Penha para estabelecer que as medidas protetivas de natureza cível têm força executiva imediata — ou seja, o próprio juiz da violência doméstica pode determinar o cumprimento da decisão sem que a vítima precise ajuizar uma nova ação.
Mulheres em situação de risco podem ligar para o número 190 (Polícia Militar) ou acionar o Ligue 180, central de atendimento à mulher em situação de violência, disponível 24 horas por dia. A solicitação de medida protetiva pode ser feita diretamente na delegacia, sem necessidade de advogado.







