O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), transformou a prisão domiciliar do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, em prisão preventiva. Essa decisão aconteceu poucas horas depois de Silvinei ser pego tentando fugir do país no Paraguai, mais precisamente em Assunção.
Para Moraes, a atitude de Silvinei, que incluía o uso de tornozeleira eletrônica e ficar em casa, mostrava uma clara intenção de não enfrentar a justiça. O ministro destacou que quebrar as regras impostas, sem qualquer motivo, já era motivo suficiente para mandá-lo para a prisão de vez.
A Trama da Fuga: Tornozeleira e Passaporte Falso
A tentativa de fuga de Silvinei começou a ser notada na madrugada da quinta-feira, dia 25 de dezembro. O sinal da sua tornozeleira eletrônica, que deveria monitorar seus passos, simplesmente parou de funcionar. Relatórios da Polícia Federal (PF) apontaram que isso podia ser uma falha da bateria ou até mesmo alguma interferência proposital.
Quando os agentes da PF foram até a casa do ex-diretor, que fica em São José, em Santa Catarina, encontraram o imóvel vazio. Silvinei tinha sumido. A busca por ele terminou no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, onde foi interceptado. O detalhe grave é que ele estava com um passaporte falso e seu destino planejado era El Salvador.
Expulsão Rápida e Retorno ao Brasil
Diferente do que acontece em processos de extradição, que costumam ser longos e complicados, as autoridades paraguaias agiram de forma rápida. Como Silvinei foi flagrado cometendo um crime em solo estrangeiro – usando um documento falso – ele foi considerado uma “pessoa indesejada” e, por isso, foi expulso sumariamente do país.
Silvinei Vasques está sendo acompanhado de volta ao Brasil. A expectativa é que ele entre no país pela Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu, no Paraná, ainda nesta sexta-feira. De lá, a Polícia Federal vai levá-lo imediatamente para Brasília.
Condenação Anterior e o Novo Cenário
É importante lembrar que Silvinei Vasques já tinha sido condenado recentemente a 24 anos e 6 meses de prisão por sua participação nos acontecimentos golpistas de 2022. Como essa sentença ainda não tinha chegado ao fim de todos os recursos (não havia “transitado em julgado”), ele tinha o direito de esperar em prisão domiciliar, seguindo as regras da justiça.
Com a nova ordem de Alexandre de Moraes, a situação de Silvinei muda drasticamente. Ele perde o direito de aguardar os recursos em casa e agora terá que cumprir pena em um presídio de segurança máxima, em regime fechado. A decisão considera o grande risco de uma nova fuga e a gravidade de ter quebrado o monitoramento judicial. A tentativa de burlar a lei custou-lhe o benefício de estar em casa, e agora o aguarda a reclusão em uma cela.







