Um menino de 9 anos, identificado como Pietro Alexandre Cunha de Oliveira, morreu na zona leste de São Paulo em decorrência de envenenamento. A causa do óbito foi apontada na certidão expedida nesta semana. A criança foi hospitalizada após consumir chocolates que, segundo a mãe, teriam sido enviados por um ex-namorado dela.
O caso teve início no dia 2 de março, quando Pietro ingeriu os doces. Cerca de 40 minutos depois, o menino começou a apresentar dores abdominais e no corpo, sudorese, visão turva e, em seguida, dificuldade de verbalização e presença de espuma na boca. A família procurou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Júlio Tupy e, devido ao quadro, a criança foi intubada e transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal Tide Setúbal. Após sete dias de internação, o paciente faleceu em 9 de março. Um irmão de 6 anos também consumiu os doces, apresentou sintomas semelhantes e foi internado no mesmo hospital. Ele se recuperou e recebeu alta na data do óbito de Pietro.
A mãe das crianças, Alexandra Silva de Oliveira, de 28 anos, relatou que os chocolates chegaram à residência em 28 de fevereiro, entregues por um motorista de aplicativo. Os doces acompanhavam uma encomenda de fraldas e lenços umedecidos solicitada por ela ao ex-namorado, um cabo da Polícia Militar de São Paulo que é pai do seu filho mais novo, de 1 ano e 8 meses. O bebê não ingeriu os chocolates e não apresentou nenhum problema de saúde.
O relacionamento entre a mulher e o policial militar durou cerca de dois meses e terminou de forma conflituosa após o anúncio da gravidez. A paternidade foi confirmada posteriormente por meio de um exame de DNA exigido judicialmente. Em setembro do ano anterior, a Justiça determinou o reconhecimento e o pagamento de pensão alimentícia, obrigações que não haviam sido cumpridas até então. Alexandra também informou que chegou a receber ameaças de um número desconhecido por meio de mensagens de texto durante o período.
Após a internação das crianças, a mãe seguiu a orientação de assistentes sociais e questionou o ex-namorado sobre a origem dos doces. O policial negou ter enviado os chocolates ou utilizado o serviço de transporte por aplicativo. Na sequência, ele apagou parte das mensagens trocadas, mantendo apenas as que citavam o envio dos itens de higiene, e bloqueou o contato da mulher.
A investigação do caso ocorre sob a natureza de homicídio por meio de inquérito no 68º Distrito Policial (Lageado). Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que diligências estão em andamento para o esclarecimento dos fatos. O policial militar não figura formalmente como suspeito até o momento, uma vez que o andamento do inquérito depende de um laudo do Instituto de Criminalística (IC) para confirmar a presença de toxinas nos restos dos chocolates. O material recolhido e o código de rastreio da entrega já estão em posse das autoridades. O advogado da família, Eduardo Karkar, informou que aguarda a conclusão da perícia, prevista para o próximo mês, para que a polícia defina os próximos passos da investigação.







