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Polícia

Laudo aponta manipulação deliberada em válvula como causa do desabastecimento na zona sul de Aracaju

Polícia Científica de Sergipe descartou desgaste natural do equipamento e concluiu que alguém forçou o mecanismo da válvula gaveta, fraturando o sistema e cortando a água de parte da capital.

Redação ChicoSabeTudo
16 de julho, 2026 · 06:00 3 min de leitura
Válvula gaveta de tubulação de água com sinais de ferrugem e componentes removidos para perícia
Válvula gaveta de tubulação de água com sinais de ferrugem e componentes removidos para perícia

A Polícia Científica de Sergipe chegou a uma conclusão que muda o rumo das investigações sobre a crise de abastecimento que atingiu moradores da zona sul de Aracaju no fim de abril: a interrupção registrada na região da Cabrita, em São Cristóvão, foi provocada por ação humana. O laudo técnico descartou que o problema tenha sido causado pelo desgaste natural do equipamento e constatou que uma manipulação indevida da válvula fraturou o sistema de abertura e fechamento, interrompendo completamente a passagem da água.

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O resultado da perícia foi divulgado nesta quarta-feira, 15 de julho, pela Secretaria de Segurança Pública de Sergipe (SSP). Os componentes da válvula gaveta — equipamento utilizado para controlar o fluxo de água na tubulação — foram recolhidos e encaminhados ao laboratório do Instituto de Criminalística para análises especializadas.

O perito Charles Carvalho, especialista em engenharia de materiais e corrosão, apontou corrosão em um dos componentes, mas afirmou que esse desgaste não teve relação com a interrupção nem com a quebra do equipamento. Em outras palavras, a ferrugem existia, mas não foi ela que parou a água — foi uma interferência externa na válvula.

De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Thiago Leandro, desde o registro da ocorrência equipes da corporação realizaram diligências, ouviram testemunhas, coletaram elementos probatórios e requisitaram a perícia. Segundo ele, o laudo confirmou que a interrupção do abastecimento foi provocada por ação humana e representa um elemento essencial para o avanço das investigações, que seguem em andamento.

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O delegado-geral foi direto sobre os próximos passos: "A Polícia Civil aguarda o cumprimento de medidas judiciais de caráter sigiloso para concluir o inquérito, identificar os responsáveis e encaminhá-los ao Poder Judiciário." Nenhum suspeito foi identificado publicamente até o momento.

Segundo o coordenador-geral de Perícias, a complexidade do caso exigiu uma atuação técnica aprofundada para identificar, com base em critérios científicos, a causa da interrupção do abastecimento. O laudo foi elaborado para subsidiar as investigações conduzidas pela Polícia Civil.

Com a conclusão da perícia, o laudo foi encaminhado à Polícia Civil e passou a integrar o inquérito instaurado para apurar o caso. A investigação tem caráter sigiloso e não há prazo divulgado para o encerramento do inquérito.

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O caso tem um pano de fundo polêmico. O episódio ocorreu dias após moradores da Zona de Expansão Sul denunciarem falta d'água persistente e a concessionária Iguá Saneamento identificar evidências de sabotagem nos registros da rede após o reparo de uma adutora na região. Na época, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Purificação e Distribuição de Água (Sindisan) veio a público contestar as acusações de sabotagem feitas pela Iguá e pelo Governo do Estado. Com o laudo em mãos, a tese criminal ganha agora respaldo científico oficial.

Casos de interrupção no abastecimento de água têm se repetido em bairros de Aracaju ao longo de 2026, com episódios em regiões como Santa Maria, Siqueira Campos e a Zona de Expansão. As investigações seguem sob sigilo, e a Polícia Civil não divulgou detalhes sobre eventuais suspeitos ou o andamento das medidas judiciais em curso.

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