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Polícia

40 dias internada, medida protetiva ignorada: suspeito de feminicídio é capturado em Maceió um dia após morte de Stephanye

Preso escondido na casa de outra companheira no mesmo bairro do crime, o suspeito vai responder por feminicídio consumado; inquérito foi atualizado após a confirmação da morte da jovem de 29 anos.

Redação ChicoSabeTudo
16 de julho, 2026 · 06:01 3 min de leitura
Fachada do Hospital Geral do Estado (HGE) em Maceió, onde Stephanye Thauany ficou internada por cerca de 40 dias após o ataque
Fachada do Hospital Geral do Estado (HGE) em Maceió, onde Stephanye Thauany ficou internada por cerca de 40 dias após o ataque

A Polícia Civil de Alagoas prendeu, na tarde de terça-feira (14), o homem apontado como responsável pela morte de Stephanye Thauany Souza da Silva, de 29 anos. A captura ocorreu no bairro do Canaã, na parte alta de Maceió, na casa de outra namorada do suspeito. Era exatamente o mesmo bairro onde o crime aconteceu — e onde Stephanye morava.

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Stephanye foi atacada no dia 4 de junho, no bairro Canaã. Segundo a Polícia Civil, ela foi atingida por aproximadamente 15 golpes de faca durante uma discussão motivada por ciúmes do ex-companheiro. Um dos ferimentos atingiu o coração da vítima.

De acordo com a Polícia Militar, uma equipe que passava pela região percebeu o portão da residência aberto e decidiu verificar a situação. No interior do imóvel, os militares encontraram a jovem desacordada e com vários ferimentos. O Samu foi acionado, prestou os primeiros socorros e encaminhou a vítima ao Hospital Geral do Estado.

Após recuperar a consciência, Stephanye informou aos policiais que o autor das facadas havia sido o ex-companheiro. Segundo a investigação, a vítima já havia denunciado o suspeito por violência doméstica e possuía uma medida protetiva antes do crime.

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Após o ataque, ela passou por cirurgia no HGE. A jovem chegou a receber alta médica, mas permaneceu com a saúde debilitada em razão da gravidade dos ferimentos. Dias depois, Stephanye voltou a apresentar complicações em casa e precisou ser atendida pelo Samu. De acordo com familiares, ela apresentou infecção urinária e anemia após deixar o hospital. Na noite em que morreu, sofreu uma parada cardíaca em casa.

O caso, que inicialmente era tratado como tentativa de feminicídio, passa a ser formalmente investigado como feminicídio consumado devido ao falecimento da vítima. A pena por este crime varia de 20 a 40 anos de reclusão.

A captura foi realizada em uma ação conjunta entre as Delegacias de Defesa da Mulher (Deams) e o setor de capturas da Divisão de Investigação e Capturas (Draco). O suspeito, que já tinha conhecimento de que estava sendo procurado pela polícia, foi localizado escondido na residência de outra namorada. Segundo as autoridades, a namorada havia brigado com ele e saído de casa, deixando-o sozinho no imóvel no momento em que as equipes efetuaram a prisão.

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Segundo a Polícia Militar, o suspeito possui antecedentes criminais e deveria estar sendo monitorado por tornozeleira eletrônica. O nome do acusado não foi divulgado pelas autoridades.

O velório ocorreu em uma funerária na Praça da Faculdade, no bairro do Prado, e o sepultamento foi realizado no Cemitério Parque Maceió, localizado no Benedito Bentes. A morte da jovem causou grande comoção entre parentes e pessoas próximas.

O caso se insere em um cenário preocupante. O Brasil registrou 399 vítimas de feminicídio entre janeiro e março de 2026, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública — uma média de quatro mulheres mortas por dia, o equivalente a uma vítima a cada cinco horas. O número representa o primeiro trimestre mais letal da história do país desde o início dos registros pelo Sinesp em 2015. Em Alagoas, foram registrados oito casos de feminicídio entre janeiro e março de 2026, sendo quatro deles em Maceió — número acima dos seis registrados no mesmo período de 2025.

Quem tiver informações sobre casos de violência doméstica pode acionar o Disque-Denúncia pelo número 181, de forma anônima.

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