Quatro anos depois de um crime que abalou a cidade de Santo Estêvão, na Bahia, o ex-vereador e ex-chefe de gabinete George Abreu vai enfrentar o júri popular. O julgamento está marcado para o dia 15 de abril, no Fórum Desembargador Filinto Bastos, em Feira de Santana, na Bahia, e é um dos mais aguardados na região.
George Abreu é acusado de tirar a vida de sua esposa, Jéssica do Carmo, que estava no nono mês de gestação. A tragédia, ocorrida em 5 de fevereiro de 2022, resultou na morte de Jéssica e também do bebê que ela esperava. A mulher já era mãe de uma menina de 6 anos, fruto de um relacionamento anterior, e a notícia do assassinato gerou grande comoção e indignação.
O crime que abalou Santo Estêvão
O assassinato aconteceu dentro da casa do casal, em Santo Estêvão. Jéssica foi atingida por disparos de arma de fogo e não resistiu aos ferimentos. O próprio George Abreu socorreu a esposa, levando-a às pressas para o Hospital de Santo Estêvão, onde a morte foi confirmada pelos médicos.
Na época do ocorrido, o caso teve grande repercussão, não apenas pela brutalidade, mas também pelo envolvimento de uma figura pública. George Abreu foi rapidamente expulso do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia e exonerado do cargo que ocupava no executivo da cidade. Essas medidas refletiram a gravidade da situação e a pressão popular por uma resposta rápida.
Versões contraditórias e a busca por justiça
Ao longo das investigações, George Abreu apresentou duas versões para o que teria acontecido, ambas contestadas pela perícia e pela acusação. A primeira delas foi a de um disparo acidental.
“A arma, uma espingarda calibre 12, teria disparado por acidente enquanto ele fazia a limpeza do equipamento”, alegou George em depoimento à polícia, acompanhado por advogados.
Em outro momento, o ex-vereador mudou a versão, dizendo que Jéssica teria ameaçado tirar a própria vida e a do bebê usando a espingarda, que tinha os canos serrados. No entanto, as evidências colhidas pela perícia e a análise da promotoria refutaram essas alegações.
A morte de Jéssica gerou uma onda de indignação e mobilização na comunidade de Santo Estêvão. Amigos e familiares da vítima realizaram diversas manifestações e caminhadas, pedindo agilidade no processo judicial e a condenação de George Abreu por feminicídio. Testemunhas ouvidas pela investigação relataram que o relacionamento do casal era conturbado e marcado por brigas constantes.
É importante lembrar que, no mesmo ano em que Jéssica foi morta, a Bahia registrou 107 mortes por feminicídio, com 86 desses casos ocorrendo no interior do estado, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJ-SP). Esse cenário destaca a urgência do combate à violência contra a mulher.
Agora, o júri popular terá a responsabilidade de decidir o futuro de George Abreu, em um julgamento que promete ser acompanhado de perto por toda a região. As informações foram confirmadas pelo site Acorda Cidade, parceiro local do Bahia Notícias.







