Um menor de idade de Guanambi, no sudoeste da Bahia, perdeu todas as suas economias ao cair em um golpe envolvendo a venda falsa do álbum da Copa do Mundo 2026. O caso virou ação judicial e tramita na 1ª Vara dos Feitos Relativos às Relações de Consumo da cidade, com pedido de indenização por danos morais e materiais, segundo informações divulgadas pelo Diário de Justiça.
De acordo com o processo, em fevereiro deste ano o jovem viu um anúncio no Instagram oferecendo o álbum da Copa do Mundo. Ele fez o pagamento de R$ 238,45 via Pix — valor que correspondia às suas economias. Logo depois, descobriu que se tratava de fraude: o produto original nem havia sido lançado ainda. O prejuízo provocou abalo emocional, conforme consta nos autos.
O caso não é isolado. O lançamento do álbum oficial da Copa do Mundo de 2026 provocou uma explosão de golpes virtuais. Segundo levantamento da empresa de cibersegurança Kaspersky, já foram identificados ao menos 164 sites falsos imitando a página oficial da editora Panini até meados de maio — número que representa um aumento de 720% em comparação com os dados de 23 de abril, quando havia apenas 20 páginas fraudulentas.
Os criminosos reproduzem visualmente o site oficial, copiando layout, identidade visual e até as etapas da compra. Para atrair vítimas, os golpistas anunciam preços muito abaixo do mercado e promoções consideradas "imperdíveis". No caso do menor baiano, o valor pago foi, pelo contrário, maior do que o praticado no mercado — o que indica uma variação da fraude voltada a quem busca o item com urgência.
Um dos vetores mais comuns de disseminação são anúncios no Instagram e Facebook que se apresentam como lojas oficiais da Copa do Mundo. A própria Panini alertou para a circulação de anúncios pagos nas redes sociais e páginas falsas criadas para enganar consumidores interessados no álbum.
Depois de perceber o golpe, o jovem adotou diversas medidas: registrou boletim de ocorrência, acionou o Mecanismo Especial de Devolução (MED) e fez reclamação no Banco do Brasil. Nenhuma delas resultou na devolução do dinheiro. O MED é um recurso do Pix desenvolvido para possibilitar a devolução de dinheiro em caso de fraudes e falhas operacionais, gerido pelo Banco Central e operado pelas instituições participantes do Pix após a sinalização da fraude pelo pagador. Apesar disso, em 2025, o MED conseguiu recuperar apenas pouco mais de 9% dos valores contestados, e em fevereiro de 2026, de cada R$ 100 desviados por fraude no Pix, menos de R$ 14 voltavam para a vítima.
Na ação, o menor — representado pela mãe — pede indenização por danos morais e materiais, com repetição do valor pago. Em sede de tutela de urgência, solicitou que o banco fornecesse os dados do recebedor, adotasse medidas para bloqueio e restituição do valor, e que o Instagram removesse o anúncio, que ainda estava no ar quando a ação foi ajuizada.
Em abril, a juíza Lázara Cristina Gonçalves Tavares de Souza negou o pedido liminar. Segundo ela, conforme informações do Diário de Justiça, as razões apresentadas pelo autor seriam insuficientes para a tutela de urgência, uma vez que o pedido se confundiria com o mérito principal e faltaria o requisito da reversibilidade. O caso ainda aguarda julgamento após a análise das versões de todas as partes envolvidas.
Para quem cair em golpe semelhante, especialistas recomendam acionar o banco imediatamente pelo aplicativo ou telefone. Quanto antes a vítima notificar o banco, maiores são as chances de o valor estar disponível para bloqueio. O prazo máximo para apresentar o pedido de devolução pelo MED é de 80 dias a partir da data de realização do Pix. Não se deve esperar ir à agência — gerentes não conseguem acionar o MED presencialmente.







