Uma jovem de 18 anos fez uma grave acusação de importunação sexual contra o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Marco Aurélio Buzzi, de 68 anos. O episódio, que teria acontecido no começo deste ano durante uma viagem à casa de praia do magistrado em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, foi detalhado pela jovem em depoimento à Polícia Civil de São Paulo. Por sua vez, o ministro nega todas as acusações.
A história contada pela jovem à polícia e acessada pelo g1, revela momentos de angústia. Ela relatou que o ministro a convidou para ir a uma área mais afastada da praia, onde entrariam no mar. Já dentro da água, Buzzi começou a se aproximar fisicamente. Ao observar outras pessoas se abraçando, o ministro teria comentado, referindo-se ao frio: “deve ser por isso que eles estão abraçados”.
A partir daí, a situação escalou, segundo o depoimento. A vítima afirma que Buzzi a virou de costas, pressionou o corpo dele contra o dela e declarou que a achava “muito bonita”, tocando em suas nádegas. Em meio à situação, a jovem tentou se desvencilhar várias vezes, mas foi puxada de volta. Ao finalmente conseguir se soltar, ela conta que Buzzi lhe deu um conselho peculiar: “Você é muito sincera, deveria ser menos sincera com as pessoas. Isso pode te prejudicar.”
O impacto e a busca por ajuda
Imediatamente após o ocorrido, a jovem deixou a praia sozinha e, ao retornar ao condomínio, comunicou seus pais sobre o que havia acontecido. A família, chocada com a situação, decidiu interromper a viagem e voltar para São Paulo. O trauma do episódio tem deixado marcas profundas na vida da jovem, que revelou em seu depoimento estar enfrentando dificuldades para dormir, além de sofrer com pesadelos frequentes. Desde então, ela tem recebido acompanhamento psicológico e psiquiátrico para lidar com as consequências do ocorrido.
A investigação e a defesa do ministro
O advogado da vítima, Daniel Bialski, manifestou ao G1 a expectativa de que o caso seja tratado com a seriedade e o rigor que merece.
“Esperamos que as providências sejam tomadas e o caso tratado com rigor.”
As investigações sobre a acusação de importunação sexual tiveram início com o depoimento da jovem em 14 de janeiro e seguem em sigilo, um procedimento padrão para crimes dessa natureza. Devido ao foro privilegiado do ministro Marco Buzzi, o inquérito foi notificado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF), a instância responsável por julgar casos que envolvem autoridades com essa prerrogativa.
Em nota, a defesa de Marco Buzzi expressou surpresa e repúdio às acusações:
“O ministro Marco Buzzi informa que foi surpreendido com o teor das insinuações divulgadas por um site, as quais não correspondem aos fatos. Repudia, nesse sentido, toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio.”
O crime de importunação sexual, pelo qual o ministro está sendo investigado, prevê uma pena de reclusão de 1 a 5 anos, caso haja condenação.







