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“Foi a sangue-frio”: revolta marca velório de vítimas de chacina em padaria de BH

Três mortes em padaria: Comunidade de Neves se despede das vítimas. Prima de Nathiely lamenta crueldade: "Não poupou ninguém". Autor foi detido.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
06 de fevereiro, 2026 · 14:50 2 min de leitura
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Foto: Reprodução/Redes Sociais

O Cemitério Porto Seguro, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi palco de cenas de profunda dor e indignação na manhã desta sexta-feira. Familiares e amigos se reuniram para a despedida de Nathiely Kamilly, de 16 anos, uma das três vítimas fatais do ataque a tiros ocorrido na noite anterior em uma padaria no bairro Lagoa.

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O velório, iniciado às 8h30, foi marcado por pedidos de justiça e questionamentos sobre a violência contra a mulher. O sepultamento ocorreu às 10h.

Revolta e luto

O clima entre os presentes era de incredulidade diante da brutalidade do crime. Eduarda Carolina, prima da vítima, descreveu a ação como uma "crueldade" e destacou que o ataque interrompeu sonhos de forma abrupta.

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"Ela estava trabalhando, e ele não poupou a vida de ninguém. Foi a sangue-frio. A gente pede justiça porque a família está sofrendo muito", desabafou Eduarda.

A prima também levantou uma crítica social sobre a recorrência de casos de feminicídio e a sensação de impunidade. "A revolta é muito grande, porque isso acontece todos os dias e nunca resulta em nada, nunca ninguém faz nada para mudar", completou.

A tia e madrinha da adolescente, Silvana Strocate, afirmou que a família está "estraçalhada". "Ninguém merece passar por isso. O ser humano está um nojo para fazer isso com mulheres que precisam ser protegidas. Não havia motivo para ele ter tirado a vida da minha sobrinha", lamentou.

Contexto e relacionamento

De acordo com relatos de familiares ouvidos durante o velório, o principal suspeito do ato infracional é o ex-namorado de Nathiely, um adolescente de 17 anos. Eduarda Carolina relatou que o relacionamento havia terminado recentemente e que o comportamento do jovem já gerava preocupação.

"Há pouco tempo eles estavam juntos e depois se separaram. [...] Pelo que a gente sabe, sempre que ele conversava com ela, xingava, só usava palavras feias. A gente desconfia porque havia esse tratamento ruim", explicou a prima, mencionando que os dois teriam discutido horas antes do crime.

Relembre o caso

O crime ocorreu na noite de quarta-feira (4/2). Segundo a Polícia Militar (PM), um atirador invadiu a padaria onde Nathiely trabalhava e abriu fogo. Além dela, morreram no ataque:

  • Emanuely Geovana Rodrigues Seabra, de 14 anos, que também era funcionária do estabelecimento;

  • Ione Ferreira Costa, de 56 anos, cliente que estava no local no momento dos disparos.

Situação do suspeito

O adolescente de 17 anos foi apreendido pela Polícia Militar logo após o crime, na casa de sua avó materna. Ele foi encaminhado à 3ª Delegacia Regional de Ribeirão das Neves.

Por ser menor de idade, o caso é tratado sob a legislação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O jovem deve ser ouvido pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que avaliará o pedido de internação em um centro socioeducativo por ato infracional análogo ao crime de homicídio.

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