O influenciador Gabriel Silva não apenas ignorou a ordem judicial que determinou a suspensão de seu perfil no Instagram — ele respondeu com novas ofensas a nordestinos e ataques diretos ao magistrado responsável pela decisão. Em vídeos publicados depois da liminar, o criador de conteúdo deixou claro que não pretende recuar.
Após a Justiça de Pernambuco determinar, na quarta-feira (2/7), a suspensão de seu perfil no Instagram, Gabriel Silva reagiu com ataques ao juiz responsável pela decisão, voltou a ofender nordestinos e afirmou que seus vídeos são produzidos com o objetivo de viralizar.
Em dois vídeos publicados após a liminar, Gabriel ironizou a ordem judicial: "Vamos com calma, juizão. Todo respeito. Você determinou aí que eu tenho que pagar 900 mil de dano moral. Vou pagar essa porra não. Se eu pagar essa porra, como é que eu vou encher minha geladeira?"
O influenciador foi além e voltou a atacar diretamente a população nordestina, reforçando as ofensas que já motivaram a ação judicial. Também fez referência explícita ao magistrado, insinuando que ele faria parte do grupo que costuma ser alvo de seus vídeos preconceituosos. Além disso, afirmou acreditar que a Meta irá cumprir a determinação e restringir seu perfil no Brasil, declarando: "Pelo que eu vi aí, meu perfil vai cair mesmo, vai ser restringido pro Brasil. Só falta a Meta clicar no botãozinho para desligar." Nos mesmos vídeos, o influenciador afirmou que grande parte dos conteúdos publicados em suas redes sociais é planejada para gerar repercussão e aumentar o alcance de suas publicações.
A medida judicial foi concedida pela 26ª Vara Cível da Capital e atende a um pedido da Defensoria Pública de Pernambuco, que acusa o criador de conteúdo de promover discursos de ódio e xenofobia. O magistrado também ressaltou que a simples exclusão de publicações isoladas não é suficiente para interromper a violação, uma vez que o conteúdo ofensivo se apresenta de forma recorrente.
Entre as declarações destacadas na ação, Gabriel Silva teria afirmado que o Nordeste seria o "esgoto do Brasil", que moradores da região precisariam de visto para deixar seus estados e que nordestinos teriam menor capacidade intelectual. Também são citadas falas de que "todo carioca, baiano e cearense tinha que nascer preso".
Segundo o magistrado, o influenciador, que tem cerca de 976 mil seguidores no Instagram, transformou "o preconceito e a ridicularização de grupos vulneráveis em uma engrenagem de monetização e espetacularização".
A ação conta com participação da Defensoria Pública de Pernambuco, que solicita a condenação de Gabriel Silva ao pagamento de R$ 976 mil por danos morais coletivos — valor calculado com base no número aproximado de seguidores da conta, correspondendo a R$ 1 por seguidor. Além da indenização, a Defensoria requer que a suspensão do perfil seja mantida de forma definitiva ao término do processo e que o influenciador seja impedido de publicar novos conteúdos considerados xenofóbicos.
Caso a Meta descumpra a determinação, poderá ser aplicada multa de até 20% do valor da causa, fixado em R$ 976 mil, além da possibilidade de imposição de multa diária. A Defensoria também solicitou autorização para citar o influenciador por e-mail e por mensagem direta no Instagram, alegando que ele mora nos Estados Unidos. O pedido, porém, foi negado pelo juiz, que determinou a citação por carta no endereço informado na ação, no Rio de Janeiro.
O caso segue em tramitação na Justiça de Pernambuco e ainda será analisado quanto ao mérito da ação. A Meta informou que não vai comentar o caso.







