Última hora
PMPA - 5736
Polícia

Influenciador desafia ordem judicial com novas ofensas a nordestinos: "Vão comer pombo"

Após a Justiça de Pernambuco mandar suspender seu perfil no Instagram, Gabriel Silva ironizou a decisão e voltou a atacar moradores do Nordeste em vídeos publicados nas redes sociais.

Redação ChicoSabeTudo
05 de julho, 2026 · 07:42 3 min de leitura
Influenciador Gabriel Silva em vídeo publicado após decisão judicial que ordenou suspensão de seu perfil no Instagram
Influenciador Gabriel Silva em vídeo publicado após decisão judicial que ordenou suspensão de seu perfil no Instagram

O influenciador Gabriel Silva não apenas ignorou a ordem judicial que determinou a suspensão de seu perfil no Instagram — ele respondeu com novas ofensas a nordestinos e ataques diretos ao magistrado responsável pela decisão. Em vídeos publicados depois da liminar, o criador de conteúdo deixou claro que não pretende recuar.

Publicidade

Após a Justiça de Pernambuco determinar, na quarta-feira (2/7), a suspensão de seu perfil no Instagram, Gabriel Silva reagiu com ataques ao juiz responsável pela decisão, voltou a ofender nordestinos e afirmou que seus vídeos são produzidos com o objetivo de viralizar.

Em dois vídeos publicados após a liminar, Gabriel ironizou a ordem judicial: "Vamos com calma, juizão. Todo respeito. Você determinou aí que eu tenho que pagar 900 mil de dano moral. Vou pagar essa porra não. Se eu pagar essa porra, como é que eu vou encher minha geladeira?"

O influenciador foi além e voltou a atacar diretamente a população nordestina, reforçando as ofensas que já motivaram a ação judicial. Também fez referência explícita ao magistrado, insinuando que ele faria parte do grupo que costuma ser alvo de seus vídeos preconceituosos. Além disso, afirmou acreditar que a Meta irá cumprir a determinação e restringir seu perfil no Brasil, declarando: "Pelo que eu vi aí, meu perfil vai cair mesmo, vai ser restringido pro Brasil. Só falta a Meta clicar no botãozinho para desligar." Nos mesmos vídeos, o influenciador afirmou que grande parte dos conteúdos publicados em suas redes sociais é planejada para gerar repercussão e aumentar o alcance de suas publicações.

Publicidade

A medida judicial foi concedida pela 26ª Vara Cível da Capital e atende a um pedido da Defensoria Pública de Pernambuco, que acusa o criador de conteúdo de promover discursos de ódio e xenofobia. O magistrado também ressaltou que a simples exclusão de publicações isoladas não é suficiente para interromper a violação, uma vez que o conteúdo ofensivo se apresenta de forma recorrente.

Entre as declarações destacadas na ação, Gabriel Silva teria afirmado que o Nordeste seria o "esgoto do Brasil", que moradores da região precisariam de visto para deixar seus estados e que nordestinos teriam menor capacidade intelectual. Também são citadas falas de que "todo carioca, baiano e cearense tinha que nascer preso".

Segundo o magistrado, o influenciador, que tem cerca de 976 mil seguidores no Instagram, transformou "o preconceito e a ridicularização de grupos vulneráveis em uma engrenagem de monetização e espetacularização".

Publicidade

A ação conta com participação da Defensoria Pública de Pernambuco, que solicita a condenação de Gabriel Silva ao pagamento de R$ 976 mil por danos morais coletivos — valor calculado com base no número aproximado de seguidores da conta, correspondendo a R$ 1 por seguidor. Além da indenização, a Defensoria requer que a suspensão do perfil seja mantida de forma definitiva ao término do processo e que o influenciador seja impedido de publicar novos conteúdos considerados xenofóbicos.

Caso a Meta descumpra a determinação, poderá ser aplicada multa de até 20% do valor da causa, fixado em R$ 976 mil, além da possibilidade de imposição de multa diária. A Defensoria também solicitou autorização para citar o influenciador por e-mail e por mensagem direta no Instagram, alegando que ele mora nos Estados Unidos. O pedido, porém, foi negado pelo juiz, que determinou a citação por carta no endereço informado na ação, no Rio de Janeiro.

O caso segue em tramitação na Justiça de Pernambuco e ainda será analisado quanto ao mérito da ação. A Meta informou que não vai comentar o caso.

Leia também