Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recomendaram que ele defenda publicamente a prestação de depoimento à Polícia Federal (PF) por parte do filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. A informação foi divulgada pelo jornalista Gustavo Uribe, da CNN Brasil, nesta quarta-feira (19).
Segundo a reportagem, integrantes da campanha de reeleição de Lula avaliam que o gesto ajudaria a demonstrar a independência das investigações e afastaria qualquer suspeita de que o presidente tenta blindar os dois de eventual responsabilização por tráfico de influência. Até terça-feira (18), porém, Lula ainda não havia decidido se faria a declaração pública.
Lulinha e Marcola devem ser convocados pela PF para depor nos próximos dias. Nos bastidores, o presidente demonstra pesar com as suspeitas que recaem sobre ambos e, segundo auxiliares ouvidos pela CNN, não esperava que o ex-chefe de gabinete tivesse um envolvimento tão grande com a lobista Roberta Luchsinger. Os dois episódios são tratados internamente como um "calcanhar de Aquiles" para a candidatura petista.
A PF investiga indícios de corrupção e tráfico de influência envolvendo Lulinha. Mensagens interceptadas pela corporação mostram que ele mantinha encontros com integrantes do núcleo do Palácio do Planalto e orientava negócios de Luchsinger, contratada por empresários que buscavam se beneficiar da proximidade dela com o filho do presidente. Registros de entrada mostram que Lulinha esteve no Planalto em 15 dias diferentes entre junho de 2023 e janeiro de 2025.
Marcola, por sua vez, é apontado pela investigação como um dos principais canais de acesso de Luchsinger ao governo. Ele já admitiu ter recebido transferências da lobista, mas afirmou que os valores correspondem a empréstimos e negou qualquer irregularidade. Em razão do caso, o governo decidiu não reconduzi-lo ao conselho administrativo da Terracap, empresa pública do Distrito Federal.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha, disse que o filho do presidente apenas visitava amigos e o pai no Planalto e negou que tenha tratado de assuntos oficiais nos encontros. A Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) informou, em nota, que as visitas tiveram "caráter estritamente privado" e não geraram desdobramentos administrativos.
Lula já afirmou que manterá distância de Lulinha e de Marcola durante o período eleitoral e que, se necessário, o filho retornará da Espanha, onde mora atualmente, para prestar esclarecimentos.







