Dois homens suspeitos de aplicar o golpe do bilhete premiado contra uma idosa foram presos em flagrante na sexta-feira (3), no bairro da Pituba, em Salvador. A dupla foi capturada por equipes da 16ª Delegacia Territorial durante diligências na região, considerada uma das áreas mais nobres da capital baiana.
Segundo a Polícia Civil, os dois suspeitos são naturais do Rio Grande do Sul. Eles têm 34 e 38 anos. Os nomes não foram divulgados pelas autoridades. Após a abordagem, os homens foram conduzidos à unidade policial, onde foram autuados em flagrante por estelionato — crime praticado mediante fraude para obtenção de vantagem financeira ilícita. Ambos permanecem custodiados e à disposição da Justiça.
O golpe do bilhete premiado é uma fraude conhecida no Brasil, mas que segue fazendo vítimas. O esquema funciona assim: o golpista aborda uma pessoa — geralmente uma idosa — afirmando ter em mãos um bilhete de loteria premiado que não consegue resgatar. Ele apresenta alguma desculpa, como não saber ler, ter restrições religiosas ou problemas de documentação, e propõe vender o bilhete por um valor bem inferior ao suposto prêmio. Na prática, o bilhete é falso ou não tem valor algum.
Em versões mais elaboradas do golpe, um segundo criminoso entra em cena fingindo ser um transeunte desconhecido. Ele confirma a história do primeiro e ajuda a pressionar a vítima a fechar o negócio rapidamente, criando uma falsa sensação de oportunidade única. Os golpistas costumam agir em locais movimentados, especialmente perto de agências bancárias.
Casos semelhantes têm sido registrados em diferentes estados brasileiros. Em São Paulo, por exemplo, uma idosa de 70 anos transferiu R$ 60 mil após ser convencida de que receberia parte de um suposto prêmio milionário — a transferência só não foi concluída porque a instituição financeira bloqueou a operação. No Brasil, especialistas apontam que o crime explora fatores como confiança, urgência e desconhecimento das regras oficiais das loterias. Nenhuma instituição permite a venda informal de bilhetes premiados.
Do ponto de vista legal, o estelionato exige quatro elementos para ser configurado: obtenção de vantagem ilícita, prejuízo a outra pessoa, uso de ardil ou artimanha e indução da vítima a erro. Quando qualificado, o crime pode resultar em pena de até 8 anos de reclusão.
A Polícia Civil orienta que qualquer pessoa abordada com esse tipo de proposta deve se afastar imediatamente e acionar as autoridades pelo número 190. Quem já foi vítima deve registrar boletim de ocorrência o quanto antes e guardar todas as evidências disponíveis, como comprovantes de transferência e informações sobre os suspeitos. Quanto mais rápido o registro, maiores as chances de minimizar o prejuízo.
O caso segue sob investigação. A identidade da idosa vítima do golpe em Salvador não foi divulgada pelas autoridades.







