Um homem foi preso em flagrante na noite de segunda-feira (29) no bairro Benedito Bentes, em Maceió, após utilizar publicações nas redes sociais com imagens de armas de fogo como forma de ameaçar indiretamente a ex-companheira. A detenção foi realizada por militares do 5º Batalhão de Polícia Militar (5º BPM), que interceptaram o suspeito em via pública, nas proximidades do Residencial Alameda.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Militar, a guarnição foi acionada para apurar relatos de um desentendimento entre o ex-casal. Ao ser abordada pelos militares, a vítima relatou que os vídeos publicados pelo homem portando armamentos funcionavam como uma ferramenta de intimidação velada — uma ameaça indireta à sua vida.
A mulher também informou aos policiais que temia por sua integridade física, citando um histórico de condutas abusivas por parte do suspeito, que incluíam episódios anteriores de invasão de domicílio e ofensas verbais. O padrão de comportamento descrito se encaixa no que especialistas e a legislação brasileira reconhecem como violência psicológica no contexto doméstico.
No momento da abordagem, a situação ganhou um contorno ainda mais grave: o homem mantinha o filho do casal retido e condicionava a entrega da criança à presença do atual companheiro da vítima, afirmando querer "resolver a situação". O uso da criança como moeda de barganha agravou a avaliação do risco pela equipe policial.
Mesmo negando as acusações na hora da abordagem, o suspeito foi conduzido juntamente com a vítima até a Central de Flagrantes, na parte alta de Maceió, onde foi autuado com base na Lei Maria da Penha. Ele permanece preso.
A legislação brasileira, segundo o Senado Federal, permite a prisão em flagrante sempre que houver qualquer forma de violência doméstica, sem necessidade de representação da vítima para determinados crimes. Desde a Lei nº 14.994/2024, o crime de ameaça cometido contra mulher por razões de gênero passou a ter pena aplicada em dobro e a ação penal não depende mais de representação da ofendida — o que torna mais ágil a resposta do Estado a casos como este.
O uso das redes sociais como instrumento de intimidação em relacionamentos abusivos é uma prática cada vez mais documentada no Brasil. Em outros casos registrados em Alagoas neste ano, agressores também se valeram de plataformas digitais para perseguir e pressionar ex-companheiras, inclusive com ameaças de morte e divulgação de conteúdo íntimo.
A ocorrência reforça o alerta de autoridades e especialistas sobre a necessidade de denúncia imediata em casos de violência doméstica. Mulheres em situação de risco podem acionar a Polícia Militar pelo 190 ou buscar atendimento em delegacias especializadas no atendimento à mulher.







