Um homem de 24 anos foi preso em flagrante na quarta-feira (10) em Euclides da Cunha, no Nordeste da Bahia, após confessar ter agredido e queimado com cigarros o próprio enteado, uma criança de três anos. Em interrogatório, ele alegou que as agressões eram uma forma de corrigir o comportamento do menino.
A criança foi internada em uma unidade de saúde do município apresentando hematomas e queimaduras espalhadas pelo corpo. O caso chegou ao conhecimento das autoridades depois que profissionais da escola onde o menino estuda perceberam mudanças no comportamento da criança e sinais visíveis de violência física.
Ao notar as alterações, os funcionários da instituição de ensino acionaram o Conselho Tutelar e a 1ª Delegacia Territorial de Euclides da Cunha. Policiais foram até o hospital onde a criança estava internada para colher os primeiros depoimentos sobre o caso.
Durante as investigações preliminares, vizinhos relataram à polícia que eram frequentes os choros do menino, além de episódios recorrentes de gritos e discussões na residência onde ele vivia com a mãe e o padrasto. Testemunhas também informaram que a criança vinha apresentando sinais de regressão comportamental e sofrimento físico e emocional nos últimos tempos.
Diante das provas e depoimentos colhidos, o suspeito foi conduzido à delegacia, onde o Auto de Prisão em Flagrante (APF) foi lavrado. Segundo a Polícia Civil, foram expedidas as requisições periciais cabíveis, e as investigações seguem para apurar as circunstâncias completas do caso, incluindo a eventual identificação de outras condutas criminosas.
O homem permanece custodiado e à disposição do Poder Judiciário.
O episódio reacende o debate sobre a violência doméstica contra crianças no Brasil. Dados do Disque 100, canal de denúncias do governo federal, apontam que as notificações de violência contra menores cresceram quase 20% nos primeiros cinco meses de 2026 na comparação com o mesmo período de 2025. Especialistas da área da saúde lembram que sinais como queimaduras de cigarro e hematomas múltiplos em diferentes estágios de cicatrização são indicadores clínicos que devem acionar imediatamente a suspeita de maus-tratos.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determina que a notificação de casos suspeitos ou confirmados de maus-tratos por profissionais de saúde e educação é obrigatória. No caso de Euclides da Cunha, foi justamente a atuação dos profissionais da escola que permitiu a identificação da vítima e a prisão do agressor.







