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Polícia

Fraude nas Americanas: Justiça bloqueia R$ 54 bilhões em bens de investigados

Sicupira e filho de Lemann estão entre os alvos; nove mandados de busca foram cumpridos no Rio e em SP

Redação ChicoSabeTudo
25 de junho, 2026 · 10:10 2 min de leitura
Imagem: Portal ChicoSabeTudo
Imagem: Portal ChicoSabeTudo

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal deflagraram, nesta quinta-feira (25), a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga fraudes contábeis nas Lojas Americanas. Por determinação da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, foi decretado o bloqueio e o sequestro de bens e valores dos investigados no limite de R$ 54 bilhões — um dos maiores já ordenados em um caso de crimes financeiros no país.

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Além do bloqueio, policiais federais cumpriram nove mandados de busca e apreensão, incluindo buscas pessoais, em endereços no Rio de Janeiro e em São Paulo. Entre os alvos da operação estão o empresário Carlos Alberto Sicupira, o "Beto", e Paulo Alberto Lemann, filho do bilionário Jorge Paulo Lemann. Os dois são acionistas de referência da Americanas e figuras centrais no grupo que controla também a Ambev e a Kraft Heinz.

A primeira fase da Operação Disclosure foi lançada em junho de 2024 e mirou ex-diretores e ex-executivos da varejista. Desta vez, as investigações avançaram sobre o papel dos acionistas e de representantes de grandes bancos privados no esquema.

De acordo com a PF, as fraudes teriam sido praticadas ao longo de vários anos, com o objetivo de esconder a real situação financeira da empresa. O esquema envolvia dois mecanismos principais: as operações de risco sacado, que são empréstimos para pagamento de fornecedores, mas que teriam sido lançados incorretamente nos balanços; e as verbas de propaganda cooperada (VPC), que, segundo os investigadores, apresentavam registros sem qualquer lastro econômico real.

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Um dos delatores do caso descreveu que "lançamentos contábeis fraudulentos referentes a VPC inexistentes" eram criados sem documentação de suporte, com papéis falsos produzidos apenas quando a auditoria externa exigia comprovantes.

Os investigados poderão responder pelos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa. A PF informou que as diligências desta fase têm como objetivo aprofundar a produção de provas, identificar individualmente a responsabilidade de cada investigado e garantir a possibilidade de ressarcimento dos prejuízos causados. Até o momento, nenhum dos alvos havia se pronunciado.

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