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Polícia

Filho de Popó é denunciado por tentar aliciar jogadores para manipular jogos

O Ministério Público do Paraná denunciou Igor Freitas, filho de Popó, e mais dois, por tentarem manipular resultados de jogos de futebol no Brasil.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
06 de fevereiro, 2026 · 00:26 3 min de leitura
Foto: Reprodução/Redes sociais
Foto: Reprodução/Redes sociais

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou o empresário Igor Freitas, filho do famoso ex-boxeador Acelino Freitas, o Popó, junto com seus sócios Rodrigo Rossi e Raphael Ribeiro. O trio é acusado de tentar convencer atletas a manipularem resultados de partidas das Séries A, B e C do Campeonato Brasileiro de futebol.

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Entre os jogadores abordados pelos denunciados está o lateral-esquerdo Reinaldo, que joga no Mirassol. A notícia sobre a denúncia foi inicialmente divulgada pelo site ge.globo.

Como funcionava a tentativa de manipulação

A investigação aponta que Igor Freitas era quem fazia o primeiro contato com os jogadores, geralmente pelo Instagram e WhatsApp. Ele se apresentava como filho de Popó, além de se descrever como um “empresário e representante com acesso direto às maiores empresas do mercado nacional”, atuando em “projetos estratégicos, ativações e negociações de patrocínios e parcerias”.

Em uma das conversas capturadas, Igor chegou a “convidar” um atleta para jogar no Vitória, time para o qual ele torce.

“Venha jogar no meu Vitória e fazer gol para a gente”
, disse o empresário na mensagem.

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Depois desse primeiro contato, os números dos jogadores eram repassados para Rodrigo Rossi, que dava sequência às conversas. Igor descrevia Rossi como alguém que trabalha “com mais de 25 casas de apostas legalizadas no Brasil”, sugerindo o envolvimento com o mundo das apostas esportivas.

O caso de Reinaldo e a recusa

O lateral Reinaldo, do Mirassol, foi procurado em agosto de 2025. Segundo o MP-PR, Rodrigo Rossi enviou um áudio e uma mensagem de visualização única para o jogador pelo WhatsApp. Reinaldo, no entanto, recusou a proposta com veemência.

“Irmão, obrigado. Não faço isso, já falei, irmão”

respondeu o atleta, deixando clara sua posição contrária à manipulação.

Operação Derby e outras abordagens

A investigação, batizada de Operação Derby, começou em setembro de 2025. O ponto de partida foi a desconfiança de que uma oferta de R$15 mil foi feita a pelo menos três jogadores do Londrina, no Paraná, para que eles recebessem cartões amarelos em uma partida da Série C do último ano.

O Ministério Público também descobriu tentativas de aliciamento que envolviam atletas de clubes das Séries B e C. Em uma conversa interceptada, Raphael Ribeiro, outro denunciado, orienta Rodrigo Rossi a “feche os 2 do Goiás e 1 do Sport”, indicando que a ação não se limitava a um único time.

Divergências financeiras e as consequências legais

A denúncia mostra que os investigados começaram a ter desentendimentos por causa de dinheiro. Para o MP-PR, existe uma “considerável probabilidade de que tais valores provenham de atividades ilícitas, especificamente relacionadas ao aliciamento de atletas e à manipulação de resultados, visando à obtenção de lucros em plataformas de apostas esportivas”.

Em setembro de 2025, o Núcleo de Londrina do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriu mandados de busca e apreensão em Salvador, na Bahia, e em Itapema, em Santa Catarina. Foram quatro mandados de busca e apreensão e dois de busca pessoal.

Igor Freitas, Rodrigo Rossi e Raphael Ribeiro foram denunciados pelos crimes de associação criminosa e corrupção em âmbito desportivo. Esses crimes estão previstos no Código Penal e na Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.587/2023). As penas para quem for condenado podem chegar a até seis anos de prisão, além de multa.

O MP-PR também pediu à Justiça que os acusados paguem R$150 mil por danos morais coletivos, como uma forma de reparar os prejuízos causados à integridade e à credibilidade do esporte no país.

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