O desaparecimento de Iago Marques Formiga, 33 anos, terminou de forma trágica na Região Metropolitana de Salvador. O jovem, morador do bairro da Federação, em Salvador, foi visto pela última vez no dia 9 de maio em Candeias, onde trabalhava na Clínica de Reabilitação Terra Santa Videira. Seu corpo foi encontrado carbonizado em Camaçari e identificado pelos familiares no Instituto Médico Legal (IML).
Segundo a irmã de Iago, Luana Formiga, o reconhecimento foi feito por meio da análise da arcada dentária e da estrutura craniana da vítima. O estado de carbonização impediu uma identificação visual direta. O caso foi registrado inicialmente como desaparecimento pela Delegacia de Proteção à Pessoa (DPP), sob o boletim de ocorrência nº 353102/2026.
De acordo com informações divulgadas pelo portal Voz da Bahia, Iago havia concluído um tratamento de reabilitação e, posteriormente, passou a trabalhar na própria clínica. Ele atuava realizando reuniões de apoio com os internos e pacientes da unidade, localizada em Candeias, na Grande Salvador.
Antes mesmo da confirmação da morte, a família já desconfiava das informações repassadas pela clínica. Segundo Luana Formiga, a direção da instituição teria apresentado versões diferentes sobre o dia em que Iago teria saído do local. "Primeiro disseram que ele saiu na sexta-feira. Depois mudaram e afirmaram que foi no sábado", relatou a irmã, conforme a reportagem da fonte. Funcionários teriam dito que o jovem levou mochila, roupas e sandálias ao partir — mas, ao acessar o alojamento, a família encontrou todos os pertences pessoais intactos no quarto.
Outra contradição envolve uma quantia de R$ 2 mil. Segundo o pai de Iago, o responsável pela clínica havia entregado o dinheiro ao filho para que ele fizesse um depósito bancário. A versão, porém, mudou: em mensagens enviadas pela administração, a clínica afirmou que o valor havia sido guardado por um dos diretores, o que indica que Iago saiu sem a quantia. As versões divergentes aprofundaram as suspeitas da família sobre as circunstâncias do desaparecimento.
Procurada, a Clínica Terra Santa Videira confirmou que Iago trabalhava na unidade e que está colaborando com as investigações. A instituição, no entanto, não esclareceu as contradições sobre o dia da saída, os pertences encontrados no quarto nem o suposto valor em dinheiro. Em nota, a direção alegou que não comentará detalhes adicionais enquanto as apurações estiverem em curso.
O corpo carbonizado foi encontrado na rotatória da Estrada da Cetrel, em Camaçari, em uma cova rasa próxima a um posto de combustíveis. A Polícia Militar isolou o local, e o Departamento de Polícia Técnica (DPT) realizou a perícia antes de encaminhar os restos mortais para exames no IML. A 4ª Delegacia de Homicídios de Camaçari ficou responsável pelo caso.
Até o fechamento da reportagem, a Polícia Civil da Bahia não havia confirmado oficialmente se o caso passou a ser tratado como homicídio nem se os responsáveis pela clínica já foram ouvidos formalmente pelas autoridades.







