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Polícia

Exumação revela lesões no pescoço de esposa de tenente-coronel encontrada morta em SP

Exumação de Gisele Alves revela marcas no pescoço e novas linhas de investigação sobre a morte da PM no apartamento em que vivia com o marido. Confira.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Polícia
10 de março, 2026 · 14:40 3 min de leitura
Imagem: Reprodução/Redes sociais
Imagem: Reprodução/Redes sociais

A investigação sobre a morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, ocorrida em 18 de fevereiro de 2026, ganhou novos desdobramentos após a exumação de seu corpo. Laudos preliminares da perícia identificaram marcas na região cervical e em outras partes do corpo da agente, o que levou as autoridades a apurarem a possibilidade de compressão mecânica (esganadura ou estrangulamento) antes do disparo de arma de fogo que causou o óbito.

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Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde residia com o marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto. Embora a tese inicial trabalhada tenha sido a de suicídio, os novos elementos técnicos e depoimentos de testemunhas apontam para contradições na cena do ocorrido.

Novas evidências forenses

No último sábado (7), peritos do Instituto Médico-Legal (IML) Central realizaram exames complementares, incluindo tomografias, para detalhar a natureza das marcas encontradas no pescoço. A perícia busca determinar se as lesões ocorreram em vida e se houve luta corporal.

Somado a isso, um socorrista que atendeu a ocorrência relatou em depoimento ter observado uma área arroxeada na mandíbula da vítima. Segundo o profissional, a marca poderia estar ligada ao impacto do tiro, mas ressaltou que apenas o laudo final poderá confirmar a origem da lesão.

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A investigação analisa uma série de inconsistências relatadas por testemunhas e captadas por câmeras de segurança:

  1. Preservação da Cena: Peritos da Polícia Técnico-Científica indicaram que o local não foi preservado adequadamente. Vídeos registrados após a saída dos socorristas mostram móveis fora do lugar, além de panos e produtos de limpeza espalhados, o que dificultou a determinação da dinâmica do disparo.

  2. Cronologia: Uma vizinha afirmou ter ouvido um estampido às 7h28. Contudo, o primeiro pedido de socorro feito pelo tenente-coronel ocorreu às 7h57, uma diferença de 29 minutos.

  3. Estado do Imóvel: O oficial afirmou que estava no banho no momento do tiro. Relatos de socorristas, no entanto, indicam que o oficial estava seco e não havia vestígios de água no chão do banheiro. Além disso, militares relataram que, após o ocorrido, o tenente-coronel trocou de roupa e apresentava um forte cheiro de produtos químicos.

  4. A Arma e o Projétil: Um bombeiro com 15 anos de experiência considerou "incomum" o modo como o revólver estava encaixado na mão da soldado. Outro ponto relevante é que o cartucho da bala não foi localizado no interior do apartamento.

Presença de magistrado e contatos telefônicos

Registros telefônicos mostram que, naquela manhã, o tenente-coronel Geraldo Neto entrou em contato com o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo. O magistrado compareceu ao prédio às 9h07, subindo ao apartamento com o oficial. A defesa da família de Gisele questiona a presença do desembargador no local antes da conclusão dos trabalhos periciais.

Em áudios gravados durante o atendimento, o tenente-coronel mencionou que o casal enfrentava crises conjugais e dificuldades financeiras nos últimos seis meses, confirmando uma discussão na manhã da morte.

Posicionamento das defesas

Em nota, a defesa do tenente-coronel Geraldo Neto afirmou que o oficial não é considerado investigado ou indiciado no processo até o momento. Os advogados reiteram que ele tem colaborado com as autoridades desde o início e que confia no esclarecimento dos fatos pela justiça.

A defesa do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan informou que o magistrado compareceu ao local estritamente na condição de amigo pessoal do oficial e que prestará todos os esclarecimentos necessários à polícia judiciária caso seja solicitado.

O caso segue sob segredo de justiça enquanto os laudos definitivos da exumação e da perícia de local são finalizados.

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Imagem: Reprodução/Redes sociais
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