Fábio Morais Leal, de 41 anos, assessor parlamentar do vereador Duda Sanches, foi preso na sexta-feira (9) em Salvador, na Bahia. A prisão aconteceu durante uma operação da Polícia Civil que investiga o tráfico de drogas na capital baiana. O detalhe que chamou a atenção é que o nome de Fábio já aparecia em uma denúncia feita pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), que descreve a atuação de uma perigosa facção criminosa.
Segundo o que foi apurado pelo Bahia Notícias, Fábio Morais Leal já havia sido citado na primeira etapa da Operação Reprobus. Ele consta no documento em que a Vara dos Feitos Relativos a Delitos de Organização Criminosa de Salvador aceitou a denúncia contra 29 pessoas. Esse documento, proferido em dezembro de 2025, formaliza as acusações de crimes como organização criminosa, tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Detalhes da Denúncia do MP-BA e a 'Tropa do A'
A denúncia do MP-BA contra o grupo de 29 pessoas, incluindo Fábio Morais Leal, aponta agravantes sérios. Entre eles, estão o envolvimento de adolescentes nos crimes e a atuação do grupo perto de unidades prisionais, o que aumenta ainda mais a gravidade das ações. A investigação, conduzida pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), fez um mapeamento detalhado da briga por territórios entre grupos criminosos no bairro de São Cristóvão, em Salvador.
O inquérito policial mostra que a ação dessas facções está diretamente ligada ao aumento dos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) na região, que são casos como homicídios e latrocínios. A Polícia Civil, em seu relatório, descreveu a existência de três grupos operacionais bem estabelecidos nessa localidade:
- Grupo 1: Atuava nas áreas de Planeta dos Macacos, Iolanda Pires e Vila Paraíso.
- Grupo 2: Focado nas regiões de Lessa Ribeiro e Parque São Cristóvão.
- Grupo 3: Presente na localidade de Vila Verde.
O documento da denúncia ainda descreve as funções específicas dentro da hierarquia da facção, conhecida como “Tropa do A”. Foram identificados desde quem fornecia as drogas e os gerentes responsáveis pela distribuição, até motoristas de vans usados para o transporte de armas. O grupo também contava com “olheiros”, que ficavam encarregados de monitorar a movimentação de viaturas e outras forças de segurança.
A Periculosidade e as Provas Apresentadas
Ao analisar o pedido de prisão dos envolvidos, o juiz Waldir Viana Ribeiro Junior destacou a “extrema periculosidade social” da organização criminosa. Entre as provas apresentadas, foi citado um vídeo chocante onde um homem aparece sofrendo agressões físicas brutais. Essa prática é atribuída ao chamado “Tribunal do Crime”, uma forma de justiça paralela imposta pelas facções.
“A extrema periculosidade social da organização é evidente nas provas apresentadas, como o vídeo do ‘Tribunal do Crime’ e a vultosa movimentação financeira.”
A decisão do juiz também apontou a grande movimentação de dinheiro do grupo e a apreensão de armas e munições como evidências claras do poder bélico da facção. Com base nessas informações e provas, o magistrado aceitou a denúncia e decretou a prisão preventiva de nove réus, entre eles Fábio Morais Leal. Além disso, a prisão de outros 19 investigados foi mantida, reforçando a seriedade da operação contra o crime organizado em Salvador.







