A irmã de Vera Lúcia, mulher atacada com soda cáustica na tarde de quarta-feira (8) em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano, foi a primeira a alertar que aquele dia poderia terminar em tragédia. Ela estava ao lado da vítima no momento do ataque e revelou que o ex-companheiro de Vera vinha a perseguindo e ameaçando há meses, desde o fim do relacionamento.
Segundo o relato da irmã, uma vizinha chegou a avisá-las sobre a presença do suspeito nas proximidades antes da agressão. A vítima havia acabado de retornar de uma delegacia de polícia, onde registrou queixa por ameaças de morte. Poucos instantes depois, o homem se aproximou, abriu um recipiente e despejou o produto químico sobre Vera Lúcia. A irmã também foi atingida ao tentar socorrê-la.
O agressor utilizou um produto desentupidor de alta potência, conhecido comercialmente como "Vulcão Negro" — substância com alta concentração de soda cáustica. A vítima sofreu queimaduras em aproximadamente 40% do corpo e também teve os olhos atingidos pela substância.
Vera Lúcia havia encerrado o relacionamento porque não queria reatar com o suspeito. Inconformado com o fim da relação, o homem passou a ameaçá-la. Na terça-feira (7), ela procurou a Delegacia Territorial de Santo Antônio de Jesus e registrou um boletim de ocorrência denunciando as ameaças de morte.
De acordo com a fonte original, o casal manteve um relacionamento por cerca de seis anos. A separação ocorreu alguns meses antes do ataque. Familiares relataram que o suspeito nunca aceitou o término e passou a seguir e intimidar a ex-companheira sistematicamente.
A ocorrência foi registrada por volta das 18h37, na Rua Lúcio José de Oliveira, nas proximidades da BR-101, no bairro Ernesto Melo. As equipes foram acionadas pelo Centro Integrado de Comunicações (CICOM) para atender uma denúncia de violência contra a mulher.
O suspeito fugiu antes da chegada da PM, e buscas foram realizadas na região. Momentos depois, equipes da Companhia de Emprego Tático Operacional (CETO) localizaram o homem após ele ter sido espancado por moradores que o apontavam como responsável pelo ataque. Após receber atendimento médico no Hospital Regional de SAJ (HRSAJ), ele foi encaminhado à delegacia.
Vera Lúcia também foi atendida inicialmente no HRSAJ e, em razão da gravidade dos ferimentos, transferida para o Hospital Geral do Estado (HGE), em Salvador, onde segue internada. Ela é mãe de dois filhos, sendo um deles uma criança com transtorno do espectro autista (TEA). O caso é investigado pela Polícia Civil.
O episódio acontece em um cenário de violência contra a mulher em alta no estado. Na Bahia, considerando os casos de violações contra a mulher em 2026, já foram registrados 10.491 casos, segundo o Painel de Dados do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC). Dados mostram que no Brasil a violência contra a mulher está em níveis críticos, com uma média de 4 feminicídios diários.
Mulheres que se encontrem em situação de risco podem ligar 190 (PM) ou acionar o Ligue 180, canal de denúncias da Central de Atendimento à Mulher, disponível 24 horas por dia.







