O diretor da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal da Bahia (FOUFBA), Marcel Arriaga, saiu em defesa do novo código de vestimenta da unidade após a norma provocar críticas de estudantes nas redes sociais. Segundo ele, a medida não tem intenção de controlar o comportamento dos alunos, mas de garantir segurança sanitária e reduzir casos de assédio.
"É uma medida de biossegurança e de proteção. A gente trabalha em um ambiente contaminado por si só. Não tem um caráter moralizador, como equivocadamente alguns estudantes pensaram no início", afirmou o diretor ao g1.
A norma restringe o uso de minissaias, croppeds, roupas decotadas, shorts curtos e bonés, e se aplica a todos que frequentam a faculdade — de estudantes a docentes, servidores e pacientes atendidos nas clínicas, em Salvador. O comunicado circulou em grupos de redes sociais antes de ser confirmado pela direção da unidade.
Arriaga destacou que a proposta partiu de mulheres dentro da própria Congregação da faculdade, órgão que aprovou a medida e no qual estudantes também têm representação. De acordo com o diretor, o fato de a unidade ser composta majoritariamente por mulheres pesou na decisão de reforçar mecanismos contra situações de assédio.
"É uma medida por biossegurança, proteção e prevenção ao assédio feminino, inclusive, porque nós somos uma faculdade essencialmente feminina. A grande maioria é formada por meninas e mulheres", explicou.
Sobre a restrição a shorts, o diretor relatou à imprensa episódios de comportamento inadequado por parte de pacientes durante atendimentos, o que teria motivado a inclusão da peça na lista de proibições. Já a proibição de bonés, segundo ele, é uma norma antiga, ligada à identificação de suspeitos em casos de furto registrados nas dependências da faculdade, já que as câmeras de segurança ficam posicionadas no alto.
"O boné é uma questão de segurança mesmo. Já existia essa norma há muito tempo, porque as câmeras de segurança ficam no alto e, invariavelmente, quem entra para furtar entra de cabeça baixa. Com boné, a gente não consegue identificar o rosto", disse Arriaga.
O diretor também garantiu que pacientes em situação de emergência serão atendidos independentemente da roupa que estiverem usando. Para os demais casos, segundo ele, a orientação busca reduzir situações de proximidade física incômoda durante os procedimentos odontológicos. Arriaga citou ainda que o Hospital das Clínicas da UFBA também possui um código próprio de vestimenta.
Apesar dos esclarecimentos, parte dos estudantes segue questionando a medida, afirmando que as restrições recaem principalmente sobre peças associadas ao vestuário feminino. A instituição não detalhou até o momento quais seriam as penalidades para quem descumprir o código, que passou a valer nesta quarta-feira (19).







