Se você circulou por Salvador recentemente, com certeza notou adesivos com o nome “Ratos da Pista” nos vidros de diversos carros de aplicativo. O movimento, que tem despertado a curiosidade da população, não é apenas um clube de amigos, mas uma rede de apoio que já conta com cerca de 4.600 integrantes.
A iniciativa nasceu em 2025 de forma despretensiosa, com apenas seis motoristas que queriam ajudar um colega que abriu um lava-jato. O grupo cresceu rápido e os fundadores perceberam que o grande número de participantes poderia ser usado como moeda de troca para conseguir descontos em serviços essenciais para a categoria.
Atualmente, o coletivo reúne 4.200 motoristas e 400 motoboys. A organização está em processo de virar uma ONG e já oferece parcerias com mais de 50 estabelecimentos. Os benefícios vão desde descontos em borracharias e oficinas até consultas médicas pela metade do preço em fundações de saúde.
Além da economia no bolso, o grupo oferece suporte em áreas sensíveis. Segundo Alex Fagundes, um dos fundadores, os membros têm acesso a assistência jurídica gratuita — útil em casos de bloqueios indevidos nas plataformas — além de atendimento psicológico e até parcerias com escolas de tempo integral.
Para manter a estrutura funcionando, o grupo não cobra mensalidades fixas, mas se sustenta com a venda de camisas e adesivos, além de ações internas. No último Carnaval, por exemplo, o caixa foi usado para montar pontos de apoio com lanche e limpeza de veículos para os motoristas que trabalharam na festa.
O sucesso do “Ratos da Pista” mostra a força da união dos trabalhadores autônomos na busca por direitos e benefícios que as empresas de aplicativo não oferecem. O grupo segue em expansão e o adesivo no vidro virou um símbolo de identificação e proteção mútua nas ruas da capital.







