O Carnaval de Salvador, na Bahia, para 2026 já enfrenta um dilema que pegou muitos de surpresa: a desistência de artistas de desfilar em seus trios. Nomes conhecidos como EdCity Fantasmão e Oh Polêmico reclamaram da falta de equipamentos que pudessem comportar toda a estrutura de suas bandas, algo essencial para um show de qualidade.
Essa situação levantou uma série de questionamentos sobre a logística da maior festa de rua do planeta. Em meio a essa discussão, o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União), conversou com a imprensa na última terça-feira (17), no encerramento do Carnaval, para esclarecer o que está acontecendo e quais são os desafios para garantir que os foliões pipoca – aqueles que curtem a festa sem abadá – tenham apresentações à altura.
Bruno Reis explicou que o principal problema está na própria oferta do mercado de trios elétricos de alto padrão. Segundo ele, não existe uma quantidade suficiente de trios tipo A, com a qualidade que os grandes artistas exigem, disponível para todos os dias e horários desejados, principalmente na abertura da festa, que é uma das datas mais procuradas.
"Não tem trios suficientes que são montados pelo carnaval com a qualidade que todos os artistas exigem, para o dia que ele quer. Então, quinta-feira, abertura, todo mundo queria se apresentar. A gente está em equipamentos de alto padrão, trio tipo A, que é chamado, mas todo mundo tinha para os outros dias. Então, os ajustes que estão sendo feitos, naturais, até porque você tem grandes atrações na Bahia", disse o prefeito.
O gestor municipal também detalhou a dificuldade econômica por trás dessa escassez. Manter uma frota inteira composta apenas por trios elétricos de ponta, aqueles "tipo A", não se mostra viável financeiramente para as empresas do setor durante o restante do ano. A demanda concentrada apenas no período de Carnaval não justifica o investimento e a manutenção de tantos veículos de alto custo.
"E ter trio tipo A para todo mundo só montado para o carnaval, o mercado não vê isso como algo que se justifique, seja sustentável", explicou Bruno Reis, destacando a lógica do mercado.
Essa realidade impõe um desafio para a organização do Carnaval, que precisa equilibrar a demanda dos artistas e a expectativa do público com a capacidade de oferta da infraestrutura disponível. Os "ajustes" mencionados pelo prefeito indicam que a prefeitura está ciente da situação e busca soluções para que o Carnaval de Salvador continue sendo um espetáculo grandioso e acessível a todos.







