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Neoenergia justifica corte emergencial em Orocó com impedimento de acesso e intervenção de terceiros na subestação

Concessionária afirma que equipes foram bloqueadas e que o sistema de proteção da Subestação Brígida foi desativado indevidamente, agravando a crise de energia no sertão.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Municipios
15 de maio, 2026 · 16:17 3 min de leitura
Portal ChicoSabeTudo
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A Neoenergia Pernambuco divulgou, nesta quinta-feira (14), um comunicado oficial em que detalha as razões do desligamento emergencial da Subestação Brígida, localizada no município de Orocó, no sertão pernambucano. Segundo a concessionária, a interrupção foi necessária após equipes técnicas serem impedidas de acessar o local para realizar serviços de manutenção preventiva e corretiva.

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Na nota, a empresa afirma que a situação foi agravada por uma ação de terceiros: "A situação foi agravada pela intervenção indevida de terceiros, que desligaram o sistema de proteção da subestação, comprometendo a segurança da operação." O desligamento afetou o fornecimento de energia para consumidores do município de Orocó.

A Subestação Brígida é peça central no abastecimento elétrico dos perímetros irrigados do Sistema Itaparica. Os desligamentos de energia são especialmente temidos porque toda a água da região vem do sistema de irrigação, que depende de energia para o bombeamento. Sem energia, o abastecimento de água é interrompido, colocando em risco diversas culturas agrícolas.

O conflito em torno da subestação não é inédito. O Tribunal de Justiça de Pernambuco, em decisão da Vara Única da Comarca de Orocó, já havia renovado liminar determinando que a Neoenergia Pernambuco restabelecesse o fornecimento de energia elétrica na Estação de Bombeamento Principal do Perímetro Irrigado Brígida. A medida atendeu a pedido do presidente do distrito do Perímetro Brígida e reafirmou decisões anteriores.

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De acordo com os autos, o corte de energia afetou diretamente o funcionamento do sistema de bombeamento, comprometendo o abastecimento para cerca de 6 mil pessoas, além de impactar atividades agrícolas e serviços públicos essenciais. O magistrado destacou que os cortes têm sido reiterados mesmo após decisões judiciais anteriores que proibiam a interrupção.

A crise tem raízes em uma dívida acumulada ao longo dos anos. O custo operacional total dos perímetros irrigados, com manutenção e pagamento de energia, gira em torno de R$ 80 milhões por ano, e só de dívidas de energia os perímetros acumulam mais de R$ 40 milhões. Essa dívida está registrada em nome da Codevasf, que alega não ter recursos alocados para o pagamento.

Em resposta ao novo corte, agricultores e reassentados do Sistema Itaparica voltaram às ruas. Manifestantes realizaram protestos com bloqueios em trechos da BR-428, em Orocó, e da BR-116, em Abaré. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, as interdições aconteceram no Km 41 da BR-428 e no Km 9 da BR-116. As rodovias ficaram totalmente fechadas nos dois sentidos, provocando retenção de veículos. Equipes da PRF e da Polícia Militar acompanharam a situação no local.

O Sistema Itaparica compreende perímetros irrigados distribuídos em dez municípios ao longo de 150 quilômetros do sertão da Bahia e de Pernambuco. Os projetos foram implantados pela Chesf e são operados pela Codevasf na região do submédio São Francisco. Hoje, mais de 50 mil pessoas ocupam essa área, todos agricultores e agricultoras familiares com pequenos lotes. Os municípios baianos afetados pelo sistema incluem Glória, Rodelas, Abaré e Curaçá, regiões que fazem fronteira direta com a área de cobertura do portal ChicoSabeTudo.

Os trabalhadores dos perímetros irrigados de todo o Sistema Itaparica exigem do Governo Federal a regularização do repasse de verbas para a manutenção dos projetos, incluindo o pagamento das contas de energia elétrica e a manutenção das equipes técnicas. Até o fechamento desta reportagem, não havia confirmação sobre a data de restabelecimento total do fornecimento de energia em Orocó.

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