A comunidade de Feira de Santana, na Bahia, amanheceu agitada nesta segunda-feira (12) com um forte protesto. Pais, alunos e representantes sindicais se reuniram em frente ao Colégio Estadual Imaculada Conceição, no bairro Conceição, para mostrar sua indignação contra o fechamento inesperado da unidade de ensino. A decisão, comunicada pelo Governo do Estado no último fim de semana, pegou a todos de surpresa.
A notícia chegou de forma abrupta. Segundo relatos de manifestantes, o aviso sobre o encerramento das atividades foi enviado por professores em grupos de mensagens na noite da última sexta-feira (9), por volta das 22h. A revolta é ainda maior porque muitos estudantes já tinham feito a renovação da matrícula para o ano letivo de 2026, sem imaginar que a escola não abriria mais as portas.
“É uma falta de respeito com a população. Meu filho está indo para o 3º ano, já tínhamos feito a matrícula e, de repente, avisam que a escola não vai mais funcionar”, desabafou Maria Roqueline, mãe de um dos alunos, expressando o sentimento de muitos pais.
Fechamento preocupa por transporte e segurança
A preocupação da comunidade escolar vai além da perda do colégio. O Imaculada Conceição é a única escola estadual que oferece Ensino Médio para bairros importantes como Conceição I e II, Santo Antônio dos Prazeres, Parque Brasil e Alto do Rosário. Com o fechamento, surgem diversos desafios práticos e de segurança:
- Custos de Transporte: Muitas famílias não têm dinheiro para pagar o deslocamento dos filhos para escolas em bairros mais distantes.
- Insegurança: Há um grande receio de que os alunos encontrem problemas ao se locomoverem por outras regiões da cidade, devido a conflitos entre grupos criminosos que marcam seus territórios.
- Alunos com Deficiência: A escola atende estudantes com necessidades especiais que já têm um laço forte com a equipe pedagógica local, e a mudança pode prejudicar seu desenvolvimento e adaptação.
Sindicato apoia e critica falta de diálogo
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação (APLB) marcou presença no protesto e publicou uma nota de repúdio contra a decisão. Para a entidade, o fechamento é um “ataque ao direito constitucional à educação pública” e pode aumentar a evasão escolar, principalmente nas áreas mais carentes de Feira de Santana.
“A situação afeta diretamente dezenas de jovens que concluiriam o Ensino Médio este ano. Não houve diálogo prévio com a comunidade ou a apresentação de alternativas viáveis”, destacou o sindicato em sua nota, cobrando mais transparência e soluções.
Até o momento, a Secretaria de Educação do Estado da Bahia não explicou os motivos específicos para o fechamento do colégio, nem informou qual será o destino dos alunos que estavam matriculados. O Núcleo Territorial de Educação (NTE-19) deve ser procurado para dar mais esclarecimentos sobre como a demanda estudantil será reorganizada.
A comunidade garante que as manifestações vão continuar até que o governador reavalie a decisão e garanta que o Colégio Imaculada Conceição permaneça funcionando no bairro.







