Ilhéus, no sul da Bahia, acaba de receber um título de peso: a cidade foi oficialmente nomeada a Capital Nacional da Rota do Cacau e do Chocolate. A novidade veio com a sanção da Lei 15.289 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, publicada no Diário Oficial da União na última sexta-feira, dia 19.
Não é para menos que Ilhéus ganha esse reconhecimento. A cidade tem uma ligação profunda com a história do cacau no Brasil, sendo um dos pilares da produção do país desde o século 18. Nos séculos 19 e 20, foi o coração da economia cacaueira, uma época de ouro que moldou a identidade e a cultura da região.
Por que Ilhéus foi escolhida?
A lei que concedeu o título tem origem em um projeto da deputada federal Lídice da Mata (PSB-BA). A ideia principal é dar mais valor à cidade, que se destaca por várias razões importantes:
- Produção Sustentável: Ilhéus investe muito em como plantar cacau de um jeito que respeite o meio ambiente.
- Cacau Orgânico: Há um esforço grande para produzir cacau orgânico, sem agrotóxicos, o que garante um produto de alta qualidade.
- Destino Turístico: A excelência na produção de chocolate artesanal fez de Ilhéus um ponto turístico muito procurado, atraindo visitantes interessados na rota do cacau e nas delícias que ele proporciona.
A deputada Lídice da Mata fez questão de frisar a importância da cidade na justificativa do projeto.
Publicidade"Ilhéus desempenha um papel crucial na cacauicultura brasileira, sendo um dos principais polos de produção do país", afirmou a deputada. Ela também destacou que o município "tem avançado na promoção de práticas sustentáveis, com iniciativas voltadas à produção orgânica e ao uso responsável dos recursos naturais".
O reconhecimento no Senado e os números do cacau
No Senado Federal, a proposta recebeu o apoio do senador Angelo Coronel (PSD-BA), relator na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA). Ele apresentou dados do Governo do Estado da Bahia que mostram o quanto a região é potente. Para se ter uma ideia, em 2024, existem mais de 100 marcas de chocolate de origem produzidas no sul da Bahia, e a maioria delas está em Ilhéus.
Um fato que chama a atenção é que 70% de toda essa produção vem da agricultura familiar, ou seja, de pequenos produtores que tiram seu sustento do cacau. O senador também lembrou da fábrica solidária ChocoSol, aberta em Ilhéus em 2023, que tem capacidade para transformar o cacau local em até 1,2 mil quilos de chocolate.
Para Coronel, tudo isso traz muitos benefícios para a população.
"A produção cacaueira e seu beneficiamento em Ilhéus e no sul da Bahia agregam interesse social por meio da valorização da agricultura familiar e da geração de perspectivas econômicas para a população da região, seja na agricultura, no beneficiamento, no comércio ou no turismo", disse o relator.
Na prática, esse novo título significa que o poder público deve direcionar mais investimentos para Ilhéus, ajudando a melhorar a infraestrutura e a promover ainda mais a cidade como um grande centro do cacau e do chocolate, impulsionando o turismo e a economia local.







