A famosa fama de Salvador como a cidade mais negra fora da África acaba de ser questionada por novos dados do IBGE. Segundo o último levantamento, a capital baiana ocupa, na verdade, a terceira posição no ranking nacional de população preta ou parda em números absolutos.
Com 2,011 milhões de pessoas negras, Salvador fica atrás de São Paulo, que lidera com 4,980 milhões, e do Rio de Janeiro, que soma 3,372 milhões. Mesmo com 83,2% da sua população se declarando preta ou parda, a capital baiana perde em quantidade total para as metrópoles do Sudeste.
Quando o assunto é proporção, o cenário muda ainda mais. Salvador aparece apenas na 484ª posição entre os municípios brasileiros. O topo dessa lista pertence a Serrano do Maranhão, onde 97,2% dos moradores são negros. No interior da Bahia, cidades como Terra Nova e Teodoro Sampaio também superam a capital nesse quesito.
Outro ponto que chamou atenção no estudo foi a questão religiosa. Ao contrário do que muitos pensam, Salvador é a capital brasileira com a maior proporção de pessoas que afirmam não ter religião. Cerca de 18,5% dos moradores, ou quase 400 mil pessoas, declararam não seguir nenhuma crença.
No ranking das religiões de matriz africana, como Candomblé e Umbanda, Salvador também não lidera. A capital baiana ocupa o quarto lugar em números absolutos, ficando atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e até de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
Os dados do Censo 2022 mostram que, embora a influência cultural africana seja a marca registrada de Salvador, os números reais de população e religiosidade trazem uma realidade diferente do senso comum espalhado pelo país.







