O CETI Reis Magalhães, em Glória, na Bahia, reuniu estudantes em uma manhã de aula para apresentar pesquisas sobre a participação feminina no cangaço. O encontro fez parte do projeto Educação Patrimonial e Artística (EPA) e teve parceria da Academia de Letras de Paulo Afonso (ALPA).
Antes da palestra, alunas da unidade escolar já vinham investigando figuras femininas da região que integraram o movimento cangaceiro, levantando dados sobre as circunstâncias em que essas mulheres viveram e o peso que elas carregam na memória do sertão. O trabalho serviu de base para a discussão conduzida durante o evento.
A condução da palestra "Mulheres Cangaceiras" coube ao pesquisador e escritor João de Sousa Lima, atual presidente da ALPA. Historiador e autor de livros sobre o tema, ele é apontado como "a maior autoridade no que toca à participação feminina no universo cangaceiro" entre pesquisadores que se dedicam ao assunto no país.
Entre suas publicações está a obra sobre a trajetória de Maria Bonita, resultado de anos de pesquisa sobre personagens femininas do cangaço. Foi justamente esse acervo de conhecimento que orientou a conversa com as estudantes, que puderam também apresentar os resultados de suas próprias investigações durante o encontro.
O projeto EPA, que estrutura ações como essa em escolas da rede estadual, foi criado pela Secretaria de Educação da Bahia em 2012 com o objetivo de aproximar estudantes de temas de patrimônio histórico e cultural. Em Glória, a proposta se traduziu na valorização de memórias regionais pouco contadas, como a das mulheres que fizeram parte do fenômeno cangaceiro.
A atividade contou com a presença dos gestores João Paulo de Santana Vieira e Alex Xela Lima, das coordenadoras pedagógicas Girleide Barreto Ferreira e Valdete Paiva Lemos, além do padre e doutor José Wilson, do cantor e compositor Oscar Silva e da professora Quitéria.
Tradicionalmente contada a partir de figuras masculinas, a história do cangaço ganha, com pesquisas como essa, outras camadas de leitura. Nomes como Maria Bonita ilustram caminhos moldados por decisões pessoais, disputas de poder e enfrentamentos, e servem de ponto de partida para que estudantes revisitem o tema sob novas perspectivas.






