A Escola Afro-brasileira Maria Felipa, uma referência na educação antirracista no Brasil, anunciou nesta quarta-feira (7) o encerramento de suas atividades em Salvador, na Bahia. A notícia foi dada pelas sócias Bárbara Carine e Maju Passos, através de uma publicação nas redes sociais da instituição.
A partir de agora, a operação da escola continuará apenas na unidade do Rio de Janeiro, que tem mostrado um crescimento robusto, quadruplicando o número de matrículas em apenas um ano.
Uma proposta educacional pioneira
Fundada em 2019, a Escola Maria Felipa rapidamente se destacou como a primeira instituição de ensino privado do Brasil com uma abordagem afroreferenciada e antirracista, reconhecida pelo Ministério da Educação. Sua proposta pedagógica era inovadora e inclusiva, voltada para crianças entre 3 e 6 anos.
O conteúdo trabalhado na escola cumpria integralmente as leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que tornam obrigatório o ensino da cultura e história africana, afro-brasileira e indígena em todas as etapas da educação básica. Além de oferecer um ensino de qualidade, com mensalidades que variavam entre R$ 1,2 mil e R$ 2 mil, a escola também tinha um importante programa de bolsas integrais, beneficiando estudantes negros e indígenas.
Desafios e o sonho de manter as portas abertas
Apesar do investimento significativo, que superou a marca de R$ 1 milhão aplicados com recursos pessoais na sede do bairro do Garcia, em Salvador, a escola enfrentou grandes dificuldades para se tornar autossustentável na capital baiana. As sócias relataram em sua publicação que, ao longo dos anos, buscaram diversas soluções para garantir a continuidade do negócio.
"As sócias Bárbara e Maju ao longo de todos esses anos buscaram diversos caminhos de sustentabilidade do negócio. Entretanto, após o investimento de mais de um milhão de reais de recursos pessoais (na sede em Salvador) e muito investimento emocional e por vezes de saúde também, elas decidiram encerrar a operação e seguir apenas com a unidade do Rio de Janeiro", dizia o comunicado.
A decisão de fechar a unidade de Salvador foi difícil, especialmente por se tratar de um projeto tão ligado à cultura e história local. As sócias reforçaram o apego à cidade e o significado da escola naquele solo.
"Salvador é nossa cidade. Nosso lugar no mundo. A Bahia é a terra de Maria Felipa, nossa heroína. Por isso lutamos todos esses anos pela manutenção do projeto na cidade. Entretanto, chegamos ao entendimento que, no momento, não é possível darmos continuidade. Esperamos, em outra conjuntura, darmos continuidade neste sonho por aqui", expressaram.
Com a experiência bem-sucedida no Rio de Janeiro, Bárbara Carine e Maju Passos mantêm a esperança de que, em um futuro próximo e com um cenário mais favorável, o sonho de uma Escola Afro-brasileira Maria Felipa possa renascer em Salvador.







