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“E se Paulo Afonso pertencesse a Delmiro Gouveia?”: promotor reabre apuração sobre ilhas no São Francisco

Promotoria de Alagoas solicita estudo técnico sobre limites territoriais no Rio São Francisco baseada em tese de "posse clandestina" de terras.

Redação ChicoSabeTudoRedação · Municipios
07 de fevereiro, 2026 · 11:22 2 min de leitura
Imagem: Reprodução/Redes sociais
Imagem: Reprodução/Redes sociais

O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL), por meio da Promotoria de Justiça de Delmiro Gouveia, instaurou um procedimento administrativo para aprofundar a análise histórica e cartográfica das ilhas situadas no complexo do Rio São Francisco, na divisa com o município de Paulo Afonso (BA).

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A portaria, publicada no dia 28 de janeiro de 2026, determina o envio de ofícios ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para solicitar estudos técnicos oficiais sobre a região.

A iniciativa do Ministério Público foi motivada por um compilado de estudos apresentado à promotoria há cerca de dois anos. O material questiona os atuais limites territoriais entre os estados e sugere que ilhas hoje administradas pela Bahia, especificamente na região de Paulo Afonso, estariam, sob uma ótica histórico-jurídica, dentro do território de Alagoas.

A tese tem como base o trabalho do pesquisador Renato Ferreira, autor do estudo defendido em 2013 intitulado "A posse clandestina das terras de Paulo Afonso-BA: Uma análise jurídico-histórica". Segundo o documento, haveria inconsistências nos marcos divisórios estabelecidos ao longo do tempo.

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O promotor de justiça Frederico Alves Monteiro, titular da comarca de Delmiro Gouveia, esclareceu em vídeo o objetivo da medida. Ele enfatizou que a atuação do MPAL neste momento não possui caráter de litígio judicial para alteração de divisas — competência que, constitucionalmente, caberia ao Supremo Tribunal Federal (STF) em ações movidas pelos Estados — mas sim um foco na identidade cultural e histórica.

"Obviamente, que do ponto de vista jurídico, nada poderia fazer sobre aquele caso [de imediato]. A unidade ministerial não seria competente [...] e o enfrentamento teria que se dar no Supremo Tribunal Federal. Mas eu achei muito interessante o estudo e resolvi, a título de compreensão, a título de conhecimento cultural, social e histórico da região, abrir no dia de hoje, 28 de janeiro de 2026, uma portaria", explicou o promotor.

O foco central da portaria é a obtenção de dados técnicos isentos. A solicitação ao IBGE visa resgatar o histórico cartográfico da região para compreender como se deu a evolução dos limites entre Bahia e Alagoas.

Segundo Monteiro, a investigação busca responder a questões sobre a "identidade do povo alagoano" e verificar a procedência das informações trazidas pela tese de Renato Ferreira, esclarecendo se, historicamente, áreas hoje baianas pertenceriam à geografia alagoana.

O procedimento segue em fase de coleta de informações e análise documental, sem prazo definido para conclusão ou ajuizamento de novas ações.

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