A Prefeitura de Delmiro Gouveia, no sertão alagoano às margens do São Francisco, colocou em marcha uma programação especial de combate ao trabalho infantil que se estende de 8 a 13 de junho. A iniciativa integra a campanha nacional "Cartão Vermelho ao Trabalho Infantil!", lançada pelo Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI) para marcar o Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil, celebrado em 12 de junho.
A data foi instituída pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 2002, quando foi apresentado o primeiro relatório global sobre o tema. Desde então, a OIT convoca a sociedade, trabalhadores, empregadores e governos do mundo todo a se mobilizarem contra essa prática. No Brasil, o 12 de junho foi oficializado como Dia Nacional de Combate ao Trabalho Infantil pela Lei nº 11.542/2007.
O cenário que motiva a campanha é preocupante. O Brasil fechou 2024 com 1,650 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos em situação de trabalho infantil — 34 mil a mais do que no ano anterior. Na Bahia, o quadro também é grave: apenas em 2025, 345 crianças e adolescentes foram encontrados em situação de trabalho infantil no estado, número que representa aumento de 550% em relação ao ano anterior. Estima-se que cerca de 191 mil crianças estejam nessa condição na Bahia, colocando o estado entre os que concentram quase metade dos casos do país.
No contexto baiano, as feiras livres são um dos espaços onde o trabalho infantil se faz mais presente — um problema histórico observado em praticamente todos os municípios do estado. Não por acaso, segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Delmiro Gouveia, o encerramento da semana de mobilização está marcado para a feira livre do município: no sábado, 13 de junho, a partir das 8h, uma caminhada de conscientização percorrerá o espaço, escolhido justamente pelo grande fluxo de pessoas.
A programação, segundo a assessoria de comunicação da prefeitura, inclui ações tanto na zona urbana quanto nas comunidades rurais. Na terça-feira (9), profissionais do CRAS, CREAS e entidades socioassistenciais se reuniram no Memorial para orientar sobre como identificar e encaminhar casos de vulnerabilidade. Na quarta (10) e quinta-feira (11), as equipes levam o debate diretamente aos Assentamentos 44, Genivaldo Moura 1, 2 e 3, com rodas de conversa focadas nos riscos físicos e psicológicos do trabalho precoce. No próprio Dia Mundial, 12 de junho, as ações chegam aos Assentamentos Maria Cristina 1, 2 e 3, com ênfase nos direitos garantidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A semana também inclui mobilização pública no centro da cidade na quinta à tarde e cobertura nas emissoras de rádio locais desde a abertura, na segunda-feira (8), para alcançar o maior número possível de lares. A organização reúne o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), o CRAS, o CREAS e o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), nas modalidades rural e urbana.
Quem identificar uma criança ou adolescente em situação de trabalho infantil pode denunciar pelo Disque 100, serviço que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, de forma gratuita, por qualquer telefone fixo ou celular em todo o Brasil.







