O Complexo de Delegacias Especializadas de Maceió, conhecido como CODE, voltou a atender o público nesta sexta-feira (19) depois de dias conturbados. A Polícia Civil de Alagoas (PCAL) confirmou o restabelecimento da energia elétrica no prédio, localizado no bairro de Mangabeiras, e a normalização dos serviços para a população.
O caos começou na segunda-feira (15), quando mais um furto de fiação elétrica deixou todas as unidades do complexo às escuras. Quem chegou ao local naquela manhã para registrar boletim de ocorrência ou buscar atendimento encontrou as portas abertas, mas nenhum serviço funcionando. O episódio chamou atenção por um detalhe irônico: entre os setores afetados estava justamente a delegacia responsável por investigar crimes de roubo e furto.
Não foi episódio isolado. Na semana anterior, na segunda-feira (8), criminosos já tinham invadido o CODE e levado um transformador de energia inteiro, o que também exigiu a substituição do equipamento e a suspensão temporária dos atendimentos. Em menos de sete dias, portanto, o complexo registrou ao menos dois ataques à sua infraestrutura elétrica.
Segundo informações divulgadas pela PCAL, os furtos de fios de cobre têm sido recorrentes na região de Mangabeiras. O material é alvo de grupos especializados que o revendem ilegalmente, sobretudo em ferros-velhos. A prática movimenta um mercado clandestino que alimenta a cadeia do crime: alguém furta, alguém compra, e o patrimônio público paga a conta.
As investigações avançaram. A Polícia Civil prendeu, na terça-feira (17), um homem de 49 anos, dono de um ferro-velho no bairro do Jacintinho, acusado de receptação qualificada. Com ele, foram apreendidos parte dos fios de cobre retirados do CODE. Segundo a polícia, o suspeito utilizava moradores em situação de rua e dependentes químicos para realizar os furtos e repassar o material ao seu estabelecimento, onde era comercializado.
O esquema desnudado pela investigação não é novidade em Maceió. No primeiro quadrimestre de 2026, a Autarquia Municipal de Iluminação Pública (Ilumina) precisou repor mais de quatro mil metros de cabos elétricos de alumínio e cobre em toda a capital alagoana, fruto de furtos espalhados por diferentes bairros. Em fevereiro, só um ataque ao viaduto da antiga PRF causou prejuízo superior a R$ 50 mil aos cofres públicos.
A delegada Camila Chacon afirmou que a Polícia Civil segue investigando a atuação de proprietários de ferros-velhos que se valem de pessoas vulneráveis para realizar furtos em estabelecimentos públicos e privados. As investigações sobre todos os episódios no CODE continuam em andamento.
Quem tiver informações que possam ajudar a identificar os responsáveis pelos furtos pode acionar o Disque Denúncia pelo número 181. As denúncias são gratuitas e podem ser feitas de forma anônima.







