Fiscais do Instituto de Pesquisa, Planejamento e Licenciamento Urbano e Ambiental de Maceió (Iplam) flagraram, nesta segunda-feira (25), o lançamento de esgoto sem tratamento diretamente na Bacia do Riacho do Silva, no bairro Jardim Petrópolis. O efluente tinha origem em um condomínio da região e estava sendo descartado de forma irregular, causando poluição ambiental no manancial.
De acordo com informações divulgadas pelo TNH1, o condomínio já havia sido autuado por três vezes desde 2024, mas os problemas persistiram. Segundo o agente de fiscalização ambiental do Iplam, Ruber de Castro, ajustes chegaram a ser realizados ao longo do tempo, porém não foram suficientes para resolver a situação. A Estação de Tratamento de Esgoto do empreendimento não comporta a quantidade de moradores.
A última vistoria antes desta segunda-feira havia ocorrido em fevereiro de 2026, quando a estação de tratamento foi interditada e tamponada. Naquela ocasião, a falta de limpeza na estrutura também contribuiu para o extravasamento do esgoto e gerou forte mau cheiro no entorno do local.
Durante a ação desta semana, uma equipe coletou amostras do material para análise laboratorial. O resultado, que deve ser concluído em até 15 dias, vai apontar o grau de poluição no trecho afetado do Riacho do Silva. Segundo as informações divulgadas pela reportagem do TNH1, o laudo será encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPE), que já vinha monitorando o caso dado o grande número de irregularidades registradas.
O condomínio ainda está sujeito a receber multa do próprio Iplam. O órgão municipal tem intensificado as fiscalizações ambientais em Maceió nos últimos meses. Mais de 200 ligações clandestinas de esgoto foram eliminadas na capital com a operação Línguas Sujas, articulada pelo Iplam e pela Secretaria Municipal de Infraestrutura.
O problema de condomínios descartando efluentes de forma irregular não é novo em Maceió. O Ministério Público de Alagoas chegou a instaurar procedimentos para investigar possíveis irregularidades no descarte de esgoto em condomínios residenciais na cidade, envolvendo empreendimentos nos bairros Jacarecica e São Jorge. Segundo o MP, o despejo irregular pode trazer sérios riscos à saúde pública, além de favorecer a proliferação de doenças e causar impactos ambientais significativos na região.
A fiscalização do Iplam tem como foco identificar ligações clandestinas que despejam esgoto sem tratamento na rede de drenagem, impedir que águas contaminadas cheguem ao mar e aos rios, e responsabilizar os infratores por meio de multas e notificações. Quando uma irregularidade é constatada, o proprietário é autuado e a correção deve ser feita imediatamente, já que se trata de um crime ambiental.
O caso do Jardim Petrópolis chama atenção por reunir os dois fatores mais recorrentes nos flagrantes em Maceió: uma estação de tratamento subdimensionada para a demanda real do condomínio e a reincidência mesmo após autuações anteriores. Com o laudo em mãos, o MPE terá subsídios para decidir se aplica medidas judiciais ou extrajudiciais contra os responsáveis pelo empreendimento.







