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Especialista explica por que prédio dos Correios em Salvador passou por 20 leilões até ser vendido por R$ 97 mi

Conselheiro do Creci-BA aponta preço inicial superestimado e explica como o retrofit foi decisivo para fechar o negócio na Pituba

Redação ChicoSabeTudo
10 de julho, 2026 · 06:15 3 min de leitura
Fachada do antigo complexo dos Correios na Avenida Paulo VI, no bairro da Pituba, em Salvador
Fachada do antigo complexo dos Correios na Avenida Paulo VI, no bairro da Pituba, em Salvador

O antigo complexo dos Correios na Avenida Paulo VI, na Pituba, em Salvador, finalmente saiu do papel — mas o caminho até a venda não foi simples. A antiga sede da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos foi arrematada pela construtora Moura Dubeux por R$ 97.760.250, após 20 leilões infrutíferos. A transação marca o fim de um longo processo de venda e sinaliza uma nova fase de revitalização urbana na área.

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Para quem acompanhou o processo de longe, o valor final pode parecer baixo. Segundo informações divulgadas pelo BNews, na primeira avaliação o preço pedido para o imóvel chegou a R$ 248 milhões. Após tentativas frustradas, o valor foi reavaliado para R$ 130,3 milhões — e o negócio só fechou na terceira oferta, por R$ 97,8 milhões. Ou seja, o imóvel foi arrematado por menos de 40% do que era pedido inicialmente.

Mas o que explica tanto fracasso antes do acerto? O conselheiro Ederson Galeno, do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-BA), tem uma resposta direta: o preço de largada estava fora da realidade do mercado. Segundo ele, a precificação inicial não levou em conta o Volume Geral de Vendas (VGV), critério técnico padrão para esse tipo de negociação, e carregou fatores emocionais que inviabilizavam qualquer comprador. "Se 20 leilões foram desertos, é porque há alguma coisa errada com o preço, né?", pontuou o especialista, conforme relatado pelo BNews.

O cálculo de um incorporador não é simples. Galeno explicou que, além do VGV, é preciso considerar quanto vai custar a obra — e no caso do complexo dos Correios, os números pesam. Com área total de 34.689 m², o terreno ocupa uma posição estratégica em um dos bairros mais valorizados e consolidados da capital baiana. Mas a área construída já existente passa de 40 mil m², e demolir tudo isso, numa região de alta densidade habitacional, seria financeiramente inviável para a maioria das construtoras.

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Foi aí que entrou a Moura Dubeux. Segundo o conselheiro do Creci, a incorporadora é uma das poucas do país com capacidade técnica para fazer retrofit — o reaproveitamento das estruturas existentes sem demolição total. Isso mudou completamente a equação do negócio e tornou o valor de R$ 97 milhões viável. A operação consolida uma tendência de mercado da incorporadora em Salvador, focada na compra de grandes ativos imobiliários desativados. O projeto da Pituba será o quarto da marca sob esse modelo.

Os outros projetos foram desenvolvidos nas áreas do antigo Salvador Praia, do Hotel Othon e do Hotel Pestana. No primeiro caso, a demolição do antigo prédio hoteleiro começou em maio de 2019 para dar lugar ao Beach Class Ondina, que conta com 236 apartamentos voltados à hospedagem de curta duração.

Para a Pituba, o plano é ainda mais ambicioso. O novo empreendimento terá vocação predominantemente residencial e potencial construtivo estimado em aproximadamente 140 mil m² de área privativa de venda. A chegada do novo complexo habitacional deve redesenhar a dinâmica de comércio, o fluxo viário e a valorização imobiliária no miolo da Pituba.

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O impacto começa antes mesmo da obra. Segundo informações divulgadas pelo BNews, o imóvel ficou abandonado por quase oito anos após ser desativado em novembro de 2018, período em que registrou ocupações irregulares. Cerca de 814 metros do terreno estão sendo ocupados de forma irregular, com processo judicial de desocupação já em andamento, de acordo com o conselheiro Ederson Galeno.

O movimento reforça a estratégia da Moura Dubeux de ampliar seu banco de terrenos em regiões consideradas-chave para o setor imobiliário, especialmente no Nordeste. A operação também sinaliza continuidade no crescimento via landbank, um dos principais vetores de geração de valor no setor de construção civil. Os detalhes do projeto, incluindo conceito arquitetônico, mix de produtos e cronograma de lançamento, serão divulgados oportunamente.

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