Um vendedor ambulante conhecido como Jessézinho gravou o momento em que foi abordado por policiais militares e impedido de continuar trabalhando às margens da BA-052, a Estrada do Feijão, no interior da Bahia. No vídeo, ele aparece ao lado do seu carrinho de suco de laranja natural e faz um desabafo que tocou centenas de milhares de pessoas nas redes sociais.
Segundo informações divulgadas pelo portal BNews, a abordagem teria ocorrido a pedido da Concessionária Estrada do Feijão (Concef), empresa privada responsável pela administração da rodovia. Uma viatura da Polícia Militar chegou ao local enquanto Jessézinho estava trabalhando, e a cena foi toda gravada pelo próprio ambulante.
"Estou aqui fazendo meu pão de cada dia, porque a vida não está fácil. Só quero trabalhar, quero ter a liberdade de trabalhar. Mas dizem que meu carrinho aqui é proibido", disse ele no vídeo, publicado em seu perfil no Instagram.
O que tornou o caso ainda mais impactante foi a revelação de que o vendedor enfrenta um problema sério de saúde. Ele afirmou ter necrose no quadril e disse que a venda de suco é sua única forma de sustento. "Só quero trabalhar. Aí vem a fiscalização, aborda uma viatura da Polícia Militar para me fazer um enquadro, para me punir. Vão me tirar daqui, mas isso é desnecessário. Só estou trabalhando, não tenho outra alternativa", declarou.
O vídeo viralizou rapidamente. Conforme informado pelo BNews, a publicação acumulou mais de 600 mil visualizações e 50 mil curtidas. Nos comentários, internautas de toda a Bahia e do Brasil manifestaram solidariedade a Jessézinho e criticaram duramente a ação de fiscalização.
O caso acende o debate sobre os limites do poder das concessionárias de rodovias sobre trabalhadores informais que atuam nas faixas marginais das vias. No Brasil, a gestão de rodovias concedidas à iniciativa privada inclui o controle do que ocorre na faixa de domínio da estrada, o que permite às empresas restringir atividades comerciais não autorizadas. No entanto, a situação de vulnerabilidade do ambulante — doente, sem alternativa de renda — transformou o episódio em símbolo da tensão entre regulação e sobrevivência.
Até o fechamento desta reportagem, a Concef e a Polícia Militar da Bahia não haviam se pronunciado publicamente sobre o caso. O ChicoSabeTudo tenta contato com os envolvidos.







